Em busca de um nome:os cogitados a presidente em eleição indireta

Por Greice Targino 19/06/2017 - 07:53 hs

Apesar de o presidente Michel Temer (PMDB) insistir que seguirá no cargo até o fim previsto para o seu mandato, em dezembro de 2018, a crise política em torno do governo não parece arrefecer. Com a delação de executivos da JBS, a consequente abertura de inquérito no Supremo Tribunal Federal e a iminente denúncia contra ele que será feita pela Procuradoria-Geral da República, a saída do peemedebista - por renúncia, afastamento pela Justiça ou impeachment pelo Congresso - deixou de ser uma possibilidade distante.

No cenário político brasileiro, entretanto, faltam nomes fortes para ocupar o posto. Em Brasília, partidos sem alternativas relevantes para a disputa conversam sobre possíveis candidatos para o caso de uma eleição indireta, na qual o sucessor de Temer seria escolhido por deputados e senadores, como determina a Constituição.

Com as lideranças mais óbvias dessas legendas envolvidas em delações, passaram a ser especulados nomes que estavam distantes do protagonismo político há algum tempo e que, em tese, não imprimiriam mudanças marcantes ao governo até o pleito de 2018, principalmente em relação à condução das reformas econômicas.

Se esses “presidenciáveis” são (ou eram) personagens secundários no meio político, recebem ainda menos atenção do restante da população. A principal figura cotada, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), só atraiu alguma curiosidade após a delação da JBS, em maio, por ser o primeiro na linha de sucessão, caso Temer não resista às denúncias.

Reportagem de VEJA, com base em resultados de buscas no Google, mostra como e por quais motivos variou ao longo do tempo a projeção de nomes cogitados para conduzir o país até as eleições de 2018. Em setembro do ano passado, quando assumiu a presidência do Supremo Tribunal Federal, as buscas por Cármen Lúcia chegaram ao auge. Em maio deste ano, com Temer emparedado pelas revelações da JBS, quem atingiu o pico de interesse foi Maia, seguido por outros cotados para uma eventual eleição indireta, como o ex-ministro Nelson Jobim, o atual chefe da Fazenda, Henrique Meirelles, e o senador tucano Tasso Jereissati.

Buscas entre 2004 e 2017

A popularidade dos ‘presidenciáveis’ no Google nos últimos 13 anos

Até o impeachment de Dilma Rousseff (PT), que colocou Michel Temer (PMDB) no poder, Fernando Henrique Cardoso havia sido o último fora do PT a ocupar a Presidência. Seu nome é constante nas buscas dos últimos 13 anos, entre os seis que ganharam relevância em discussões sobre possíveis eleições indiretas. O ex-ministro da Defesa de Lula e Dilma, Nelson Jobim, também foi foco de alguma atenção quando ocupou o cargo, entre 2007 e 2011, mas sumiu das pesquisas dos brasileiros depois de deixar o governo. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) e a ministra do STF Cármen Lúcia estavam longe dos holofotes na década passada.

Buscas desde janeiro de 2017

As pesquisas neste ano – e a reviravolta

A saída de Dilma Rousseff (PT) não foi suficiente para trazer à tona nomes alternativos para ocupar o cargo de presidente, já que o vice-presidente era uma saída institucional razoável à mão, mas a citação de Michel Temer (PMDB), de forma comprometedora, na delação da JBS, no mês passado, e a possibilidade de ele também ser afastado do cargo desencadeou a busca por nomes fora do lamaçal político em que o país havia mergulhado. Além de querer saber “o que é uma eleição indireta”, brasileiros foram ao Google atrás de Rodrigo Maia (DEM-RJ), o sucessor imediato, e Cármen Lúcia, a terceira na linha sucessória, após o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE). Até o ex-ministro Nelson Jobim, considerado forte dentro do PMDB, com algum trânsito no PT e respeitado no Judiciário, voltou para a “boca do povo”.

As dúvidas sobre os presidenciáveis

O que motivou as buscas pelos cogitados desde 2004

Entre eleições vencidas e perdidas, cargos no governo e declarações controversas, todos os cogitados para eleições presidenciais indiretas, em caso de queda de Michel Temer (PMDB), tiveram seus momentos de fama na imprensa e, consequentemente, no Google. Mais do que interesse em seus pensamentos políticos e planos para o país, o que mais motivaram as buscas por esses nomes foram polêmicas nas quais se meteram e detalhes de suas vidas pessoais.

Fernando Henrique Cardoso

Ex-presidente da República entre 1995 e 2002, FHC afastou a possibilidade de buscar a Presidência outra vez, porém, é apoiado por lideranças do PSDB. Nas buscas, já foi mais popular: em épocas de eleição, as comparações entre os candidatos e as suas gestões costumam trazer seu nome de volta à tona.

Total de buscas

Quantas páginas falam sobre FHC na internet

8.810.000

Rodrigo Maia

No quinto mandato como deputado, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), é quem receberia a faixa presidencial em eventual saída de Temer, até a convocação de eleições. Entre deputados, é visto como solução interna para preencher o cargo. Mesmo após pleitos bem sucedidos, Maia só recebeu verdadeira atenção nas buscas com a mais recente crise no governo.

Total de buscas

Quantas páginas falam sobre Maia na internet

1.420.000

Henrique Meirelles

Ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles assumiu o Ministério da Fazenda no ano passado, indicado por Temer – momento em que subiram as buscas por seu nome. O ministro é visto como nome para dar continuidade às reformas propostas pelo atual governo e tem apoio na base do presidente.

Total de buscas

Quantas páginas falam sobre Meirelles na internet

774.000

Tasso Jereissati

Apesar de ter sido governador do Ceará em três mandatos, Tasso Jereissati, presidente interino do PSDB, só virou foco de atenção nacional nas buscas ao concorrer para o Senado: em 2010, quando saiu derrotado, e em 2014, quando voltou à política. Forte defensor da reforma trabalhista, Jereissati tem apoio entre os tucanos.

Total de buscas

Quantas páginas falam sobre Tasso Jereissati na internet

436.000

Cármen Lúcia

Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), a ministra Cármen Lúcia nunca foi nome da política e sequer pode ter filiação partidária. Assim como outros membros do Judiciário brasileiro, contudo, foi para o foco por ter nas mãos parte da Operação Lava Jato e voltou a ser nome buscado com a crise no governo Temer. Sobre ela, a curiosidade está nos detalhes de sua intimidade.

Total de buscas

Quantas páginas falam sobre Cármen Lúcia na internet

423.000

Nelson Jobim

Outro nome oriundo do Judiciário, Nelson Jobim foi ministro do STF, indicado por FHC, e da Defesa nos governos Lula e Dilma. Experiente na política, tem força em parte do PMDB – partido ao qual foi filiado -, PSDB e PT. Nas buscas, porém, seu foco está no passado, especialmente em seu período no Ministério da Defesa durante as gestões petistas.

Total de buscas

Quantas páginas falam sobre Nelson Jobim na internet

391.000

 

Fonte: 

Nelson Jobim

Outro nome oriundo do Judiciário, Nelson Jobim foi ministro do STF, indicado por FHC, e da Defesa nos governos Lula e Dilma. Experiente na política, tem força em parte do PMDB – partido ao qual foi filiado -, PSDB e PT. Nas buscas, porém, seu foco está no passado, especialmente em seu período no Ministério da Defesa durante as gestões petistas.

Total de buscas

Quantas páginas falam sobre Nelson Jobim na internet

391.000

Fonte: Veja