Elba Ramalho revela que precisou apelar ao prefeito para tocar no São João de Campina Grande

Por Greice Targino 19/06/2017 - 08:42 hs

De acordo com a entrevista publicada neste domingo pela Folha de São Paulo, Elba afirmou que “este ano, quase não tocava lá, tive que apelar ao prefeito”

A cantora paraibana defendeu a criação de uma lei para garantir a presença do forró nas festas de São João bancadas com recursos públicos . A cantora Elba Ramalho revelou em entrevista ao jornal Folha de São Paulo que precisou apelar ao prefeito Romero Rodrigues para tocar durante o Maior São João do Mundo, em Campina Grande. De acordo com a entrevista publicada neste domingo, Elba afirmou que “este ano, quase não tocava lá, tive que apelar ao prefeito. Ele teve que dizer aos rapazes, curadores da festa, a ‘Elba tem que vir’”.

Ela ainda lamentou a programação do São João em Campina Grande com maioria de sertanejos. “É minha cidade, uma cidade linda, o São João é um arraso, mas a festa não pode se descaracterizar, se guiar só pelo mercado”, defendeu Elba.

A polêmica em relação às atrações do São João começou quando Elba criticou a quantidade de artistas de música sertaneja nos festejos juninos. “Mas a coisa ganhou um vulto maior depois da declaração da Marília Mendonça, essa menina nova que eu não conheço muito. Conheço outros sertanejos mais antigos, Pena Branca, Zezé [di Camargo], Daniel. Ela disse que ia ter sertanejo no São João, que tinha que respeitar, como se nós tivéssemos preconceito ou intolerância. Aquilo mexeu com meus brios porque eu sei quem sou”, apontou a cantora paraibana.

Elba Ramalho ainda afirmou que não criticou os artistas sertanejos, mas sim os curadores das festas. De acordo ainda com ela, “os artistas sertanejos serão sempre bem-vindos aqui, respeito o valor artístico deles. Mas acho que em junho, mês do São João, a prioridade deve ser dada à nossa tradição, ao nosso forró. É preciso ter mais equilíbrio. Tem espaço para todo mundo no céu, uma estrela não atropela a outra”.

A cantora paraibana ainda defendeu a criação de uma lei para garantir a presença do forró nas festas de São João bancadas com recursos públicos. “Acho que podia ter uma lei sim, assim como o Recife fez no Carnaval, que diz que tem que ter frevo. A cultura tem que ser preservada, mas sem excluir ninguém. Vai ter sertanejo sim, Marília, pode ficar tranquila”, declarou Elba.

ENTREVISTA

Folha – Como viu a campanha dos artistas pelo forró no São João?
Elba Ramalho – Seu Luiz [Gonzaga] mandou dizer lá do céu: não entre nessa briga. É briga de galo feroz, de gente grande. Mas vi que os artistas [de forró] estavam reclamando e que a bomba ia estourar. Quando fiz meu show em Caruaru (PE), fiz a minha crítica de forma mais elegante e verdadeira possível, aos curadores das festas.

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Não houve crítica aos artistas sertanejos?
Não. Mas a coisa ganhou um vulto maior depois da declaração da Marília Mendonça, essa menina nova que eu não conheço muito. Conheço outros sertanejos mais antigos, Pena Branca, Zezé [di Camargo], Daniel. Ela disse que ia ter sertanejo no São João, que tinha que respeitar, como se nós tivéssemos preconceito ou intolerância. Aquilo mexeu com meus brios porque eu sei quem eu sou.

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Você foi muito criticada.
Tenho pena do meu lombo, de tanta pancada que levei. Vários artistas já tinham se posicionado. Mas quando eu falei a coisa tomou uma proporção inesperada. Vivemos um tempo de intolerância: você não pode ter um posicionamento que logo é tachado de coxinha ou esquerda caviar. Fui corajosa ao dar a minha opinião.

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Acha que tem espaço para o sertanejo no São João?
O Nordeste é um lugar muito aberto, toca todo tipo de música. Os artistas sertanejos serão sempre bem-vindos aqui, respeito o valor artístico deles. Mas acho que em junho, mês do São João, a prioridade deve ser dada à nossa tradição, ao nosso forró. É preciso ter mais equilíbrio. Tem espaço para todo mundo no céu, uma estrela não atropela as outras.

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O que mais a chateou?
O que mais me deixou chateada foi ver a programação em Campina Grande (PB), que para mim é o maior São João do mundo, com uma maioria de sertanejos. É minha cidade, uma cidade linda, o São João é um arraso, mas a festa não pode se descaracterizar, se guiar só pelo mercado. Este ano, quase não tocava lá, tive que apelar ao prefeito. Ele que teve que dizer aos rapazes, curadores da festa, a “Elba tem que vir”.

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Acha que falta reciprocidade nas festas sertanejas?
Quando fazem a Festa do Peão, a gente não toca lá. Nunca toquei. Não que me faça falta porque faço show em todo o país, no exterior. E entendo que eles queiram privilegiar os ritmos que fazem parte da cultura deles.

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É a favor de uma lei que desse prioridade aos artistas tradicionais no uso de recursos públicos no São João?
O forró nunca vai acabar porque está na nossa alma. O povo gosta do xote, do xaxado, do baião. Mas acho que podia ter uma lei sim, assim como o Recife fez no Carnaval, que diz que tem que ter frevo. A cultura tem que ser preservada, mas sem excluir ninguém. Vai ter sertanejo sim, Marília, pode ficar tranquila.

Fonte: Folha