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Publicado em 10/08/2017 às 12:18:26

O que aconteceria se um asteroide fosse descoberto em rota de colisão com a Terra?

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O astrônomo Cristóvão Jacques, que lidera o Observatório SONEAR, em Oliveira (MG), maior centro descobridor de asteroides perigosos no hemisfério Sul, afirma ter vivido essa situação duas vezes e pode contar como a coisa se desenrola

Em1908, um evento chamado Tunguska ocorreu na Rússia, em que um bólido celeste de cerca de 30 metros explodiu ao entrar na atmosfera da Terra, com uma energia cerca de mil vezes a da bomba atômica de Hiroshima. Devastou uma área de aproximadamente 2.000 km2 na Sibéria. Felizmente era uma região desabitada.

Em 2013, segundo Jacques outro evento parecido ocorreu na cidade de Chelyabinsk, na Rússia, em que um asteroide de aproximadamente 17 metros adentrou a atmosfera da Terra explodiu e que a onda de choque danificou prédios na cidade, feriu milhares de pessoas, mas ninguém morreu.

O cientista conta que o objeto foi descoberto de manhãzinha, e no final da noite ele já ia passar a 86 mil km da Terra. Então, com a segunda observação, já tem uma ideia razoável de onde ele vai passar.

As histórias revelam como funciona o sistema de detecção de asteroides — é um esforço colaborativo, pois nem sempre os mesmos astrônomos estão no momento exato na posição ideal na Terra para acompanhar o objeto. Com isso, é extremamente improvável que alguém possa descobrir um asteroide em potencial rota de colisão e não contar nada. E se, por acaso, um grupo tentar esconder uma descoberta, ela acabará sendo "redescoberta" por outro grupo em questão de dias. "Eu vou dizer que é muito, muito difícil ter uma conspiração de as pessoas não saberem", diz Jacques.

Fique por dentro

O trabalho de descobrir asteroides consiste basicamente em tirar várias imagens sequenciais da mesma região do céu, em busca de objetos que estejam se movendo de uma foto para outra. Objetos que se movimentem nesse curto espaço de tempo "entregam" que estão em órbita ao redor do Sol, e o passo seguinte é reobservá-los, em cooperação com cientistas do mundo todo, para refinar a órbita e determinar os riscos que ele oferece.

"O processo é o seguinte: a gente descobre o asteroide, verifica se ele já não é conhecido, e, caso não exista na base de dados, a gente envia para o Minor Planet Center [órgão da União Astronômica Internacional], que é o centro que coleta essas informações", conta Jacques ao Mensageiro Sideral. "O Minor Planet Center recebe essa informação e disponibiliza esse objeto numa página, e aí os cientistas e observatórios do mundo inteiro vão tentar seguir aquele asteroide para melhorar a [estimativa da] órbita dele."

Redação NE1 com Salvador Nogueira da Folha de S.Pauo

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