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Publicado em 12/09/2017 às 10:05:55

"Próximos 4 dias serão semana mais longa", diz Janot

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O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve dedicar os últimos quatro dias úteis de sua gestão a uma revisão ou rescisão do acordo de delação premiada com os executivos do grupo J&F; a um possível pedido de renovação da prisão temporária de Joesley Batista e Ricardo Saud, executivos da J&F, ou mesmo a um pedido de prisão preventiva dos dois; a pelo menos um novo acordo de colaboração premiada dentro da Operação Lava-Jato; e à nova denúncia ? ou denúncias ? contra o presidente Michel Temer.

É com essa perspectiva que trabalha a equipe de Janot, dedicada a diminuir a quantidade de pendências para Raquel Dodge, que assumirá a Procuradoria-Geral da República a partir de segunda-feira.

? Será a mais longa semana da minha gestão ? disse Janot a um interlocutor.

A revelação da conversa gravada entre Joesley e Saud, com as consequentes abertura de processo para revisar a delação e decretação de prisão dos dois executivos, provocou tensão no gabinete de Janot. Auxiliares dele reconhecem que os cenários mudam a toda hora, mas algumas tendências vão ganhando corpo. Uma delas é que Janot trabalha para concluir a revisão do acordo de delação com os executivos da J&F e até a rescisão definitiva não está descartada.

A nova denúncia contra Temer, por sua vez, deve ser apresentada até quinta-feira, evitando deixá-la para o último dia da gestão. Até agora não está claro se ele fará uma ou duas acusações. Em caso de duas denúncias, Temer pode responder por obstrução à Justiça, em uma, e por integrar uma organização criminosa ? junto com outros políticos do PMDB que atuam ou atuaram na Câmara ?, em outra.

Para a gestão de Raquel ficará a análise do material apreendido na segunda-feira pela Polícia Federal nas casas de Joesley e Saud, de Francisco de Assis e Silva, diretor jurídico do grupo, e Marcello Miller, ex-procurador da República suspeito de fazer jogo duplo na elaboração do acordo de delação. As buscas e apreensões em quatro endereços em São Paulo e na casa de Miller, no Rio, foram autorizadas pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF).

Acordos de delação em discussão com o gabinete de Janot ficarão para o gabinete de Raquel Dodge. O procurador-geral passará na quarta-feira por uma prova de fogo no STF: o plenário vai julgar se ele está impedido de atuar nas investigações de Temer, como alegou a defesa do presidente. O julgamento também alimenta a tensão no gabinete de Rodrigo Janot.


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