O Colégio das Dorotéias

Ramalho-Leite-555x350-555x350 (1)Neste ano da graça de 2016 a Congregação das Doroteias está completando 150 anos de sua chegada ao Brasil. No mesmo ano de 1866 era aberta também a Casa de Portugal. Na nossa pátria mãe, as comemorações ocorreram entre março e abril do corrente. Não tomei conhecimento de qualquer evento alusivo à presença marcante dessas educadoras entre nós.De sua atividade em Bananeiras, a partir de 1917, restam o túmulo mandado construir pelas ex-alunas e o antigo prédio do colégio, que voltou ao patrimônio da Diocese e hoje é um colégio municipal, por obra e graça de uma ex-aluna, a prefeita Marta Ramalho.

As Doroteias nasceram na Itália por iniciativa de Paula Franssineti. Moradora de uma vila de pescadores denominada Quinta Al Mare, fundou, com outras doze moças, uma comunidade religiosa com o nome de Filhas de Santa Fé, dedicada à evangelização da juventude. Nos idos de 1834 chega a Gênova o Conde de Passi, dedicado à Obra de Santa Doroteia, cujo objetivo era desenvolver o seu apostolado fora do ambiente das casas religiosas, com foco nos jovens e crianças pobres. Essa proposta foi acolhida pelas Filhas de Santa Fé que passaram, então, a se denominar Irmãs de Santa Doroteia.

Doroteia, natural da Capadócia,na Turquia, escolheu viver na castidade perfeita e se entregou ao jejum e à oração. Sua humildade, prudência e doçura atraíram a atenção de seguidores. Por outro lado, a perseguição aos cristãos encetada sob o Império de Diocleciano, no Século III, levaram suas idéias a julgamento. Por manter suas convicções, foi decapitada. Paula Franssineti, a fundadora da Congregação também alcançaria a santidade. A Congregação das Irmãs Doroteias plantou escolas em várias partes do mundo, educando jovens e crianças.Sua primeira casa no Brasil instalou-se na Diocese de Olinda e Recife, por solicitação do então bispo dom Manoel do Rego Medeiros, conforme me informa a Wikipédia.

Foi justamente a madre provincial de Olinda, irmã Julia Cassini, que recebeu a doação que lhe fez o arcebispo da Paraíba, dom Adauto Aurélio de Miranda Henriques, do patrimônio com casa e capela do Sagrado Coração de Jesus, existente na cidade de Bananeiras. Dom Adauto no seu arrazoado considerou o bem espiritual da Paróquia de N. S. do Livramento “e o extraordinário proveito que pode advir de um estabelecimento de ensino dirigido por uma Congregação Religiosa”, daí por que, transmitiu às religiosas da Congregação de Santa Doroteia, em Pernambuco, aquele acervo, sob algumas condições explícitas em documento.

A primeira cláusula exigia das Irmãs a obrigação de “prover o pessoal apto e suficiente para a direção e conservação de um colégio destinado a educação de meninas”. Em segundo, o colégio manteria “uma aula de ensino elementar e trabalhos manuais gratuitamente para as crianças pobres” As religiosas estavam proibidas de transferir o colégio para outro prédio “mais vantajoso e mais apropriado ao fim ao qual era destinado, isto é, para a estruturação e conservação de um colégio para meninas”. Enfim, caso a Congregação resolvesse “retirar seu pessoal e deixar a direção do dito Colégio do Sagrado Coração de Jesus da cidade de Bananeiras não lhe será devida qualquer indenização”.

As Doroteias se instalaram ainda em Cajazeiras e Alagoa Grande e mais recentemente, nesta Capital.Até o ano de 1962 eu ainda avistava as meninas internas no Colégio das Doroteias passeando, em fila dupla, pelas ruas da cidade, sob a vigilância de uma sisuda freira. Era um exercício esperado pela rapaziada. Abrir as portas do colégio para visitantes era mais difícil. O professor Vicente Nóbrega, que ensinava voleibol às meninas, entrava e sai quando queria. Eu, que paquerava uma aluna, ficava a vê-la passar, de longe, de passo firma, blusa branca e a saia plissada das normalistas. Esse colégio tem muita história, mas não serei eu que irei contá-las. Com a palavra uma pupila de Madre Rodrigues. (Fonte: Livro de Tombo da Paróquia de N.S.do Livramento)

Ramalho Leite é procurado do Estado e jornalista.