Pesquisa desenvolvida na UFPB descobre inseticida mais eficiente contra mosquito da dengue

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Substância extraída do líquido do sisal se mostrou eficaz no combate ao mosquito da dengue, aponta pesquisa da UFPB — Foto: Raíssa Oliveira/UFPB
Substância extraída do líquido do sisal se mostrou eficaz no combate ao mosquito da dengue, aponta pesquisa da UFPB — Foto: Raíssa Oliveira/UFPB

Uma pesquisa desenvolvida no Departamento de Biologia Celular e Molecular da UFPB desenvolveu uma substância mais eficiente para matar o mosquito Aedes aegypti, conhecido como mosquito da dengue, a partir do líquido extraído do sisal. A pesquisadora que coordenada a pesquisa, Fabíola Cruz, explicou que os resultados foram patenteados e a expectativa é de que dentro de dois anos.

Conforme o trabalho iniciado em 2012 por Fabíola Cruz, quando a pesquisa ainda era sua tese de doutorado, o líquido extraído a planta cultivada na região do semiárido paraibano mata a larva do mosquito da dengue em até 24 horas.

A pesquisadora, que também coordenadora do Laboratório de Biotecnologia Aplicada a Parasitas e Vetores (Lapavet) da UFPB, explicou que a substância foi testada em todas as fases da vida do inseto.

“O suco mata as larvas em menos de 24 h e quanto maior a concentração do suco misturado em água, mais rápido é o efeito. Então nós depositamos a primeira patente em 2013 e expandimos o estudo para as outras fases de vida do mosquito (ovo, larva, pupa e adulto). O extrato do sisal tem efeito em todas as fases, mas a de pupa é a que tem menos efeito”, explicou.

Ainda de acordo com Fabíola Cruz, a eficácia da substância foi comprovada por meio de testes feitos tanto como inseticida, com aplicação direta sobre o inseto, quanto como iscas, usado armadilhas para atrair o vetor das doenças da dengue, chikungunya e vírus da zika.

“Fizemos estudo a nível celular também e vimos que o sisal causa a morte das células do mosquito”, explicou a pesquisadora.

Após o primeiros testes, o Lapavet conseguiu junto ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) em 2016, o financiamento de R$ 30 mil para dar sequência aos testes feitos pelo projeto. “Em 2018 depositamos a segunda patente, agora com o sisal melhorado geneticamente. Atualmente trabalhamos com o extrato em pó (liofilizado) porque isso facilita o armazenamento e o manuseio”, comentou Fabíola.

Os testes atuais do projeto estão voltados para toxicidade do extrato de sisal, para confirmar que ele vai poder ser utilizado de maneira segura pela população. Foram comprovados o efeito da extrato de sisal em sua fase líquida, em spray sobre as superfícies onde o mosquito pousa e na forma de isca de alimentação para o mosquito.

“O nome do projeto é ‘Desenvolvimento de bioinseticida feito com o suco do sisal, para o combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya’. A pesquisa está em fase final, ainda restam uns dois anos”, avaliou Fabíola Cruz.

Descoberta por acaso

A pesquisa começou a partir de um contato feito pela Embrapa Algodão de Campina Grande com Fabíola Cruz em 2012. A Embrapa Algodão mantém parcerias com várias associações de agricultores e recebiam informações a partir da Associação de Produtores de Sisal de Pocinhos

De acordo com a pesquisadora, na produção da fibra do sisal, o “suco” que sobra da extração não tinha nenhuma utilidade comercial e era descartado. Foi quando a Embrapa Algodão entrou em contato com o Lapavet e encaminhou a substância para que fosse investigada o potencial biotecnológico.

“Eu comecei a testar em larvas de mosquito da dengue (Aedes aegypti) e o efeito foi surpreendente. O suco mata as larvas em menos de 24 h e quanto maior a concentração do suco misturado em água, mais rápido é o efeito”, explicou. A primeira patente foi depositada em 2013 e logo em seguida a substância foi testada em outras fases da vida do mosquito.

G1