Braço afegão do Estado Islâmico já atacou casamento e é acusado de mandar homens para fazer carnificina na maternidade de Cabul. Fonte americana diz acreditar que grupo foi autor do ataque perto do aeroporto da capital nesta quinta (26). Mais fraco que o Talibã, trata seus rivais extremistas como infiéis por terem abandonado a jihad ao negociar com os Estados Unidos.

Enquanto afegãos desesperados tentavam embarcar em um voo para sair do Afeganistão e fugir dos talibãs, surgiram alertas para outra ameaça: o grupo Estado Islâmico (EI).

O presidente americano, Joe Biden, afirmou que existia um “risco agudo e crescente” de ataque no aeroporto por parte do braço regional do grupo, denominado Estado Islâmico-Khorasan (EI-K).

Nesta quinta-feira (26) veio a explosão, deixando um número ainda desconhecido de mortos . O Estado Islâmico voltou a ser suspeito de ser o autor, mas, até a última atualização desta reportagem, não havia reivindicado a ação.

Antes do ataque, ao ser consultado diretamente sobre a ameaça, um porta-voz talibã reconheceu o risco de “incômodos” que provoquem problemas na já caótica situação. Ele atribuiu o quadro atual à retirada liderada pelos Estados Unidos.

Veja abaixo perguntas e respostas sobre este outro grupo extremista, com informações da agência AFP:

Meses depois de o EI declarar um califado no Iraque e na Síria, em 2014, combatentes que saíram do talibã paquistanês se uniram aos militantes no Afeganistão para formar um braço regional. Juraram lealdade ao líder do EI, Abu Bakr al Baghdadi.

O grupo foi reconhecido formalmente pelo comando central do EI no ano seguinte à sua instalação no nordeste do Afeganistão, nas províncias de Kunar, de Nangarhar e do Nuristão.

As informações sobre a preocupação de sua força variam de milhares de combatentes ativos até 500, conforme relatório do Conselho de Segurança da ONU divulgado em julho passado.

O grupo massacrou civis nos dois países em mesquitas, santuários, praças e até hospitais, além de ter começado contra outros países de alas que considera aqui – em particular os xiitas.

Em agosto de 2019, o EI-K reivindicou a autoria de um atentado contra os xiitas durante um casamento em Cabul que morreu 91 mortos.

As autoridades suspeitam que o grupo foi o responsável por um ataque, em maio de 2020, que chocou o mundo. Homens armados abriram fogo na maternidade de um bairro de maioria xiita de Cabul. Nele, 25 pessoas morreram, entre elas 16 mães e recém-nascidos.

Nas províncias em que está presente, o EI-K fez marcas profundas. Seus homens mataram a tiros, decapitaram, torturaram e aterrorizaram os moradores, deixando minas por todos os lados.

Além dos bombardeios e massacres, o EI-Khorasan não conseguiu controlar nenhum território na região e sofreu grandes perdas nas operações militares talibãs e americanas.

Embora os dois grupos sejam militantes islâmicos sunitas de linha dura, também são rivais e divergem em temas de religião e estratégia. Cada um diz representar uma verdadeira bandeira da Jihad.

Como divergências provocaram confrontos sangrentos, dos quais os talibãs geralmente saíram vitoriosos desde 2019, quando o EI-Khorasan foi incapaz de controlar um território como fez seu grupo parente no Oriente Médio.

Nada bem. O Estado Islâmico critica o acordo assinado no ano passado entre Washington e o Talibã, que levou a um pacto para a retirada das tropas estrangeiras. O grupo acusa os talibãs de abandonarem a causa jihadista.

Após a rápida tomada do Afeganistão pelos talibãs, vários grupos jihadistas no mundo felicitaram o grupo, mas não o EI.

Um comentário do EI publicado após a queda de Cabul acusou os talibãs de traírem os jihadistas de acordo com Washington e prometeu continuar sua luta, de acordo com o SITE Intelligence Group, que monitora as comunicações dos grupos extremistas.

Autoridades dos Estados Unidos e de outros países ocidentais já vinham alertando que o aeroporto de Cabul, com muitos soldados americanos cercados por uma multidão de afegão desesperados, estava sob ameaça do EI-Khorasan.

“ISIS-K é um inimigo dos talibãs, e eles têm um histórico de lutar um contra o outro”, disse Biden no domingo (22). “Todos os dias que temos soldados no local, estes soldados e civis inocentes no aeroporto enfrentam o risco de um ataque do ISIS-K”, acrescentou.

G1