“A defesa da saúde da mulher na prevenção ao câncer de mama passa necessariamente pelo controle de qualidade dos equipamentos mamográficos, considerando que um mamógrafo desregulado pode levar a resultados indesejáveis, capazes de ocasionar danos irreparáveis à saúde de quem os utiliza”, afirmou a diretora-técnica de Ciência e Tecnologia Médica e Correlatos da Agevisa/PB, Helena Teixeira de Lima Barbosa, durante encontro online realizado na tarde desta segunda-feira (25), dentro da programação relacionada ao Dia Estadual de Vigilância Sanitária.

Segundo Helena, um diagnóstico “falso negativo” pode levar a paciente que tenha câncer de mama a pensar que não precisa de tratamento médico, ficando (com isso) exposta a risco que pode inclusive levar a morte. “Já no caso de um resultado ‘falso positivo’, além dos prejuízos emocionais muito comuns envolvendo inclusive familiares, quando se pensa que se está com uma doença, há ainda a submissão a um tratamento desnecessário, que pode causar danos irreparáveis à saúde”, enfatizou.

A Diretoria Técnica de Ciência Tecnologia Médica da Agevisa, conforme Helena Lima, tem entre suas prioridades o Programa da Qualidade em Mamografia e realiza anualmente inspeções sanitárias nos serviços de diagnóstico por imagem responsáveis por exames mamográficos, orientando-os quanto ao cumprimento da legislação pertinente. “A liberação do Alvará fica sujeita ao cumprimento das exigências detectadas no momento da inspeção, quando são exigidos os testes de controle de qualidade previstos na RDC nº 330/2019/Anvisa e suas Instruções Normativas”, explicou.

“Além das inspeções sanitárias, a Agevisa promove Reuniões Técnicas com os prestadores de serviços de mamografia e também com as empresas prestadoras de controle de qualidade, para harmonização das ações desenvolvidas no Estado”, acrescentou.

Palestras – O Webinar “O Papel da Vigilância Sanitária na Promoção da Saúde da Mulher: aspectos relevantes na prevenção e controle do câncer de mama” foi constituído de palestras envolvendo profissionais da Agevisa, da Secretaria de Estado da Saúde (SES/PB) e do Centro Especializado de Diagnóstico do Câncer do Estado da Paraíba (CEDC).

Mediado pela gerente-técnica de Inspeção e Avaliação de Produtos, Equipamentos e Tecnologias Médicas da Agevisa, Telma Domiciano, o evento foi aberto formalmente por Geraldo Moreira de Menezes (diretor-geral), que destacou a integração e o apoio do Governo do Estado às ações da Vigilância Sanitária; homenageou os profissionais das Visas pela passagem do Dia Estadual de Vigilância Sanitária (25 de outubro), e ressaltou que a Agevisa/PB tem contribuído ao longo dos anos para a garantia da qualidade da mamografia no território paraibano.

O encontro reuniu, além da palestrante Helena Lima, a coordenadora do Núcleo de Saúde da Mulher da SES/PB, Maria de Fátima Moraes, que proferiu palestra sobre “o Panorama do Controle da Saúde da Mulher no Estado da Paraíba”, e a médica mastologista e radiologista Lise Reis Melo (membro da Equipe Técnica do Centro Especializado de Diagnóstico do Câncer do Estado da Paraíba- CEDC/PB), que falou sobre “a Importância das Imagens Mamográficas no Diagnóstico do Câncer de Mama”.

Panorama no Estado – Em sua palestra, Fátima Moraes ressaltou que o câncer de mama ocupa a primeira posição em mortalidade por câncer entre as mulheres no Brasil, com maior incidência nas regiões Sul e Sudeste do País. Ela também destacou estimativa para câncer de mama no triênio 2020-2022 (do Instituto Nacional do Câncer – Inca) com 1.120 novos casos para cada ano na Paraíba, sendo 360 casos na Capital João Pessoa.

Ela destacou a importância do rastreamento mamográfico (que é o exame de rotina em mulheres sem sinais ou sintomas de câncer de mama) na prevenção da doença e informou que a pandemia da Covid-19 provocou uma redução considerável no número desses exames nos anos de 2020 e 2021. Segundo observou, em 2019 foram realizadas na Paraíba 63.920 mamografias em mulheres a partir dos 40 anos de idade. Em 2020 esse número caiu para 23.001 e em 2021, até o momento, foram realizadas 1.492 exames mamográficos. No mesmo período, registrou-se na Paraíba 308 óbitos por câncer de mama em 2019, outros 295 em 2020 e até outubro de 2021 um total de 186 óbitos.

Qualidade da mamografia – Em palestra sobre a importância da qualidade dos exames de mamografia no diagnóstico do câncer de mama, a médica mastologista Lise Reis Melo observou que o câncer de mama é um problema de saúde pública que representa 30% de todas as neoplasias que acomete as mulheres e que é responsável pela morte 16,9% das mulheres acometidas por câncer no Brasil.

Lise Reis destacou a importância do rastreamento mamográfico para detecção de lesões pré-malígnas e do câncer em estágio inicial; disse que a pandemia da Covid-19 reduziu em 60% o número de mamografias em 2020, e observou que a qualidade do exame mamográfico está diretamente relacionada com a probabilidade de detecção de uma alteração na mama. “Exame sem o adequado rigor de qualidade pode apresentar um valor preditivo positivo de 66%”, comentou. E acrescentou: “Perfil mais criterioso em relação ao padrão de qualidade pode incrementar a acurácia diagnóstica para 85 a 90% dos casos em mulheres com mais de 50 anos de idade, possibilitando a detecção do tumor até dois anos antes de ocorrer acometimento ganglionar”.

A íntegra das palestras proferidas durante o Webinar “O Papel da Vigilância Sanitária na Promoção da Saúde da Mulher: aspectos relevantes na prevenção e controle do câncer de mama” pode ser acessada no link https://www.youtube.com/watch?v=AoEpQm6XsqM.FacebookWhatsAppTwitterCompartilhar       

Via: paraíba.com