Confraternizações, lembrancinhas enfeitadas com papais Noeis e brilho, casas decoradas com muitas luzes e enfeites extravagantes, carros de som anunciando as pseudo promoções de fim de ano, comércio cheio, cada qual procurando a melhor roupa, melhor presente, a árvore de natal mais bonita…chegou o “pré natal”, não há como negar!

O fim de ano, para quem é do interior, tem características bem peculiares. Nota-se logo que as casas começam a ser pintadas e reformadas para essa época, a cidade reluz em luzes brancas e coloridas, as ruas cheiram a “pão Recife (pão de festa)”  e batata frita descansando nas estufas, tem maçã do amor e frutas envolvidas em chocolate e confeitos por todo lado…crianças bem arrumadas e sentadinhas com seus pais nas calçadas também sinalizam o período festivo do ano.

Apesar de todo esse clima, existe algo no Natal e nas festas de fim de ano que incomoda e traz desconforto: a proibição do choro e a obrigatoriedade do riso! Não pode existir tempo nem espaço para tristeza e melancolia, cobrança muito rígida que contraria a natureza dos finais dos ciclos, pois é justamente nesse momento de rompimento que nos damos conta do que não temos mais e principalmente de quem não temos mais.

Mas, por que choraríamos ou lembraríamos de momentos passados e de pessoas que não estão mais conosco se as luzes da cidade e a pompa dessa época têm que suprir todo e qualquer sentimento que se distancie da extrema alegria tida como obrigação nesses festejos? O que é a saudade, a tristeza ao ver aquele lugar vazio na mesa da ceia e o sentimento de insegurança (pois é um novo tempo que se inicia) diante dos “piscas piscas” e do exagero de comida próprios das festas de fim de ano?

Além de precisar ostentar nas redes sociais uma roupa nova, uma mesa exageradamente farta e uma casa impecavelmente limpa e arrumada, no final de ano ninguém pode ser triste, as lembranças e a melancolia natural desse tempo precisam ser mascaradas e escondidas pelos gliters, luzes e todo o aparato característico do fim de dezembro. E não existe nada mais triste do que saber que o que sempre parece faltar nas ceias e reuniões é o que deveria dá sentido a esse tempo.

Num mundo em que existe extremo apego às tradições e ao que é raso, o choro é proibido, sobretudo diante de uma pomposa árvore de natal.

Raíssa Cavalcante
Advogada de Guarabira e Colunista do Portal Nordeste 1

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