A ansiedade atinge mais as mulheres do que os homens e, dentre elas, as casadas são as que mais sofrem com esse transtorno de saúde mental, de acordo com uma pesquisa feita pela Zero Barreiras Psicoterapia Online com 58 psicólogos da empresa.

Dentre eles, 67,2% consideram que mulheres são mais afetadas pela ansiedade do que os homens. Além disso, a maioria também afirma que as casadas sofrem mais com este problema do que as solteiras – tenham filhos ou não.

O questionário possibilitou avaliar quais os principais motivos causadores de ansiedade em diversos âmbitos da vida. Em relação ao trabalho, a causa mais citada foi a sobrecarga de tarefas. Depois, da razão mais importante para aquelas com menos relevância, estão: desemprego, ganhar menos do que gostaria ou necessita, medo de perder o emprego, sentimento de inferioridade no trabalho, insatisfação com chefes e falta de tempo para estudar/aprender mais.

Havia ainda um espaço para o que os psicólogos pudessem fazer comentários sobre as motivações propostas. “Há uma ansiedade por desempenho: como a mulher se vê e como gostaria de ser vista, uma espécie de autoexigência com performance”, disse um dos entrevistados. “A forma como a mulher é desvalorizada e julgada pela sociedade em relação à maternidade e ao ambiente profissional é um forte gatilho emocional”, afirmou outro.

“Percebo muita ansiedade por se cobrarem demais. Esse mundo que busca muita produtividade, tem feito com que elas busquem ser produtivas o tempo todo e em todas as áreas da vida. E automaticamente se enxergam fracas se não produzem, se não se sentem úteis! É o que mais vejo nas sessões”, destacou um terceiro.

Com relação às tarefas domésticas, a maior parte respondeu que ter pouca ou nenhuma divisão de tarefas domésticas com companheiro é mais estressante do que ter pouca ajuda dos filhos.

Preocupação com a saúde dos outros

A pesquisa mostrou ainda que as mulheres se preocupam mais com a saúde de seus familiares do que com a própria. A preocupação com a saúde dos filhos é a mais causadora de ansiedade. Em seguida, vem a preocupação com cuidados dos pais, depois com a própria saúde – por ir menos ao médico do que gostaria.

Por fim, está preocupação com a saúde do companheiro. “A pandemia e o medo da morte foram muito reais, estiveram presentes em muitas famílias e foram um dos principais motivos de ansiedade nos últimos dois anos”, observou um entrevistado.

Violência doméstica

Os relacionamentos conjugais também foram analisados. O principal motivo de ansiedade nesta área é o sofrimento por ser vítima de violência doméstica. Em seguida, está a preocupação pelo uso excessivo que o parceiro faz de álcool ou outras substâncias psicoativas.

Na sequência, por ordem de importância, estão: forma com que o (a) companheiro(a) se relaciona com outras pessoas, provocando ciúmes ou insegurança; preocupação com a aceitação por questões estéticas e preocupação com o trabalho do companheiro, pelo medo de que ele venha a perder o emprego.

Em relação à família, a principal causa de ansiedade é a preocupação com o comportamento dos filhos e, depois, com a educação deles.

Violência urbana e assédio sexual

A última parte do questionário foi dedicada a temas sociais. Neste quesito, a maior causa de ansiedade é o medo da violência urbana. Em seguida, está o temor de assédio sexual e, por último, a preocupação com a política do país.

“As mulheres adoecem por não falar e lutar pelo que desejam, por se sentirem submissas ou oprimidas”, relatou um psicólogo.

“Frustrações por estarem em famílias que projetam muitas coisas para a pessoa e ela [mulher] não consegue alcançar, é muito recorrente. Geram questões de insegurança e sentimento de impotência pessoal. Além disso, medo do futuro, medo de ficar sozinha, tanto em questão de relacionamentos, quanto de amizades também são pontuados por nossas pacientes”, acrescentou.

 

 

Do R7