Ultimamente, temos tomado conhecimento sobre assuntos que despertam a nossa curiosidade e indignação, e que têm como espaço a misteriosa e rica Amazônia. Como um manto verde que consegue alcançar seis países, a floresta Amazônica tem a sua maior proporção territorial em solo brasileiro, o que atrai olhares que escondem as mais diferentes intenções.

Como se não bastasse uma guerra entre Rússia e Ucrânia acontecendo há mais de três meses, uma Pandemia que ainda não se desfez e uma inflação que não anda bem das pernas, o Brasil tem sido destaque em muitos meios de comunicação do mundo.

Pois é, caro leitor. O ano é 2022 e, talvez você só consiga ler esse texto em outro contexto histórico, quando outros fatos bizarros estejam acontecendo. Mas, por aqui, neste trecho do filme da vida, uma possível cidade pré histórica está sendo citada como a capital mundial que está soterrada sob o verde da floresta Amazônica. “Ratanabá” gerou uma euforia nas mídias digitais. Mas o que também gerou comoção no povo brasileiro, foi a morte de dois ativistas que defendiam a proteção ambiental e a população indígena na Amazônia. Parece que passou a ser ‘errado’ lutar por causas justas.

O jornalista britânico, Dom Philips, e o indigenista brasileiro, Bruno Araújo Pereira, defendiam com grande simplicidade a vida e a preservação da Amazônia e dos povos indígenas da região. Os dois defensores iniciaram uma jornada para tentar mostrar os problemas pelos quais as comunidades amazônicas eram obrigadas a passar nas mãos da maldade de quem enxerga naquele lugar, um meio de exploração ilegal e desenfreada pelos bens que aquela extensão possui.

Shakespeare disse que ‘Há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia’, e nos dias em que estamos, essa visão nunca foi tão bem interpretada na prática, pois o que estamos vendo são as luzes do mundo se voltando para o país do futebol. E não é por causa do esporte. Até os satélites de Elon Musk poderão se voltar para a Amazônia, com o intuito de levar internet para o lugar. Parece que a intenção de levar banda larga para aquele lugar acabou alargando a boca do povo, que acha nessa atitude um meio de usar toda a tecnologia da empresa de Musk como uma desculpa para explorar o que a Floresta tem para oferecer. Será?

Aos poucos o Brasil vai ganhando destaque nos meios de comunicação, e infelizmente de forma negativa, pois, visto que o território amazônico é uma das nossas maiores riquezas, a forma como muitos querem se ‘empodeirar’ desse recurso é o que chamamos de ‘dar um tiro do próprio pé. Parece que as definições de respeito não foram atualizadas com sucesso, pois a ganância do homem é tão violenta que impede a sua visão de causa e consequência sobre a sua própria sobrevivência. O ter dinheiro tem sido a ideia de ordem. A nossa diversidade ambiental e cultural está comprometida. Parece ser mais importante tentar provar que existiu uma cidade na Amazônia há milhões de anos, do que tentar salvar a nossa biodiversidade, a nossa fauna, flora e os índios, estes que só querem ter o direito a viver do seu jeito, dentro daquilo que é seu por direito desde antes da chegada das caravelas.

Parece que é mais inteligente tentar provar a existência de uma cidade soterrada na Amazônia, do que lutar por direitos iguais, independente da cultura, raça ou origem. Infelizmente, o que foi encontrado enterrado em solo amazônico, foram os corpos dos dois homens que lutavam pela preservação ambiental e dos habitantes daquele lugar. Parece que os valores se inverteram. Quem tem que pagar caro por seus atos é quem dar a cara à tapa pela justiça e proteção de quem só quer seu lugar de direito.

É o ser humano brigando para se destruir, pois a natureza oferece muito, mas precisa de cuidados. A natureza humana também precisa de cuidados, sendo muitos deles dependentes de um ciclo que não pode ser alterado. E muitos estão perdendo a vida por querer que esse direito seja mantido. Albert Einstein tinha razão quando disse que nenhum rato no mundo construiria sua própria ratoeira.

Dom e Bruno foram corajosos e estavam fazendo sua parte em busca do bem de tantos. Eles não foram os primeiros ativistas a perderem a vida, mas ganharam o respeito de quem sabe valorizar o significado da vida.

Maria Daniele de Souza Lima. Professora, estudante de Jornalismo e colunista.