O senador Alessandro Vieira (PSDB-SE) afirmou na noite de ontem (22) que os parlamentares conseguiram as 27 assinaturas necessárias para a abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar irregularidades no MEC (Ministério da Educação).

Entretanto, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) diz que ainda falta uma assinatura para alcançar o número.

Em operação deflagrada ontem, a PF (Polícia Federal) prendeu preventivamente o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro e pastores suspeitos de articular a liberação de recursos da pasta a prefeituras. A ação da PF levou senadores a retomar esforços iniciados em março, quando o caso veio à tona, pela abertura de uma CPI no Senado.

Veja os senadores que assinaram o requerimento, segundo divulgação do senador Randolfe:

  1. Randolfe Rodrigues
  2. Paulo Paim
  3. Humberto Costa
  4. Rafael Tenório, suplente de Renan Calheiros
  5. Fabiano Contarato
  6. Kajuru
  7. Zenaide Maia
  8. Paulo Rocha
  9. Omar Aziz
  10. Rogério Carvalho
  11. José Antonio Reguffe
  12. Leila Barros
  13. Jean Paul Prates
  14. Jaques Wagner
  15. Eliziane Gama
  16. Mara Gabrilli
  17. Nilda Gondim
  18. Veneziano Vital
  19. José Serra
  20. Tasso Jereissati
  21. Cid Gomes
  22. Alessandro Vieira
  23. Dário Berger
  24. Simone Tebet
  25. Eduardo Braga
  26. Soraya Thronicke

Nas redes sociais, Randolfe diz que Marcelo Castro, presidente da Comissão de Educação, se comprometeu a assinar o requerimento quando faltar apenas uma assinatura.

Em março, um áudio obtido pela Folha de S.Paulo revelou que o governo federal priorizava a liberação de recursos a prefeituras indicadas pelos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura Correia, que não têm cargos oficiais no MEC, mas atuavam como lobistas na pasta.

Desde então, parlamentares da oposição têm tentado colher apoios para abrir uma CPI para investigar essas denúncias —o requerimento precisa de 27 assinaturas.

Pacheco diz que eleições prejudicam abertura da CPI

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), declarou ontem que a proximidade das eleições “prejudica” a instalação de uma CPI do MEC durante o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em entrevista a jornalistas na tarde de ontem, Pacheco ponderou que o governo Bolsonaro, sobretudo o Ministério da Educação, deve se explicar sobre as suspeitas de irregularidades na pasta.

O parlamentar disse que o Senado mantém a posição em relação à CPI, que é de analisar os requerimentos e ver se obedecem aos requisitos necessários para a abertura de uma Comissão, mas ressaltou que, no atual cenário de ano eleitoral, o escopo de uma investigação desse tipo é afetado pelas disputas eleitorais.

O fato de se estar num momento muito próximo das eleições acaba prejudicando, sim, o trabalho dessa ou qualquer outra CPI que venha a ser instaurada.
Rodrigo Pacheco (PSD-MG), presidente do Senado

Em abril, a solicitação chegou a conseguir esse número, mas o senador Oriovisto Guimarães (Podemos-PR) desistiu e retirou seu apoio. À época, Oriovisto disse acreditar na existência de “fatos graves” a serem investigados no MEC, mas argumentou que uma CPI “tão próxima das eleições acabará em palanque eleitoral”.

Ao comentar a retirada de apoios, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) disse que agora “é compreensível porque o governo Bolsonaro se esforçou tanto para retirar assinaturas da CPI do MEC”. Ele completou: “O Bolsolão do MEC já é o maior escândalo de corrupção da história!”.

UOL