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Na antevéspera do segundo turno das eleições, o presidente Jair Bolsonaro (PL), candidato a um novo mandato, voltou a criticar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por causa da recusa da corte em investigar supostas irregularidades na veiculação de peças de propaganda de campanha na reta final do pleito.

Bolsonaro alega ter sido vítima de um suposto desequilíbrio na veiculação das inserções em emissoras de rádio, principalmente no Nordeste. O presidente do TSE, Alexandre de Moraes, rejeitou um pedido apresentado pela campanha de Bolsonaro para que o tribunal investigasse eventuais irregularidades.

Na quarta-feira (26), o candidato à reeleição fez um pronunciamento no Palácio da Alvorada no qual garantiu que foram apresentadas provas, chamou de “incompreensível” a decisão de Moraes e acusou o magistrado de “matar o processo no peito”. O mandatário diz que recorrerá ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Em entrevista ao influenciador financeiro Thiago Nigro, o Primo Rico, Bolsonaro também criticou alguns veículos de comunicação e disse que é perseguido pela imprensa.

“A grande mídia, UOL/Folha, Estadão e Globo, não me dá paz desde antes de eu assumir a Presidência. Eles querem me tirar daqui, eles fazem parte do sistema. Sistema este que integra também o nosso Tribunal Superior Eleitoral”, acusou Bolsonaro.

“Essa questão de dezenas de milhares de inserções de rádio está comprovada, e o que o TSE faz? Nada, e ainda investiga o partido [PL]”, criticou o presidente.

“Mentiras” na campanha

Bolsonaro criticou a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu adversário neste segundo turno. Segundo o presidente, Lula e seus aliados disseminam “fake news” para conquistar votos.

“Nesses últimos dias, o PT intensificou sua campanha na TV e no rádio dizendo várias mentiras: que vamos congelar o salário mínimo, que vamos diminuir o valor das aposentadorias, que vamos taxar o Pix… só mentiras”, acusou Bolsonaro.

“Sabemos que a maioria da população não acredita nessas mentiras, mas uma minoria pode acreditar e influenciar o resultado das eleições.”

Auxílio aos mais pobres

Na entrevista, que durou cerca de 40 minutos, Bolsonaro disse que o Auxílio Brasil, criado em seu governo, tem um alcance muito maior do que o antigo Bolsa Família, marca dos governos do PT.

“Sobre assistencialismo, tem uma massa de pessoas no Brasil que são pobres. Não se pode fechar os olhos para essas pessoas. Nós buscamos espaço no orçamento para essas pessoas, com o Auxílio Brasil. Eram, em média, R$ 190 do Bolsa Família, uma vergonha. Se não criássemos o Auxílio Emergencial, o Brasil tinha quebrado na época da pandemia e poderíamos ter problemas seríssimos no país. Gastamos o equivalente a 15 anos de Bolsa Família dentro da responsabilidade fiscal”, afirmou.

Estatais e ministérios

Na conversa com Thiago Nigro, Bolsonaro disse que seu governo preservou as empresas estatais de qualquer interferência política e falou em “roubalheira” das gestões do PT.

“Nós tratamos com respeito o dinheiro público. No passado, as estatais eram socorridas pela União porque davam prejuízo. Hoje elas dão lucro. O rombo, com a roubalheira do PT nos fundos de pensão, chegou a R$ 40 bilhões. Você pode ver na delação do [Antonio] Palocci como é claro isso. Nós pensamos diferente, de modo que sobre recursos em nosso orçamento”, afirmou.

“Nós fechamos essa torneira. Todo mundo aqui é técnico nos ministérios, olha o Tarcísio [de Freitas], o Guedes, a Damares [Alves], a Teresa Cristina, entre outros.”

Taxação de lucros e dividendos

O chefe do Executivo disse que o governo estuda a possibilidade de taxação de lucros e dividendos, para aliviar a cobrança de Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) de quem recebe até cinco salários mínimos.

“Seria uma troca. O projeto está lá no Congresso e, até agora, não tivemos nenhum sinal vermelho contrário”, afirmou. Segundo Bolsonaro, a proposta do ministro da Economia, Paulo Guedes, prevê a taxação de ganhos de R$ 400 mil por mês ou R$ 4,8 milhões por ano.

Orçamento secreto

Sobre as emendas de relator, que abrem espaço para o chamado “orçamento secreto” no Congresso, o presidente insistiu que teria vetado inicialmente o projeto.

“O que sempre acontecia no Brasil? Os partidos políticos tinham espaço nos governos, indicavam nomes para estatais, para bancos, como a Caixa e o Banco do Brasil, e ministérios. Alguns faziam bom uso disso, outros não. Dali saía o dinheiro da corrupção”, disse.

“Então, o presidente da Câmara na época, Rodrigo Maia, quis espaço no governo, queria a recriação do Ministério das Cidades, e eu não aceitei. O que eles fizeram? Nós mandamos o projeto de lei orçamentária normalmente, como todo ano, eles pegaram esse projeto e fizeram uma emenda, criaram uma rubrica extra, na época de R$ 15 bilhões, agora são R$ 19 bilhões, onde quem destinaria esses bilhões seria o relator do orçamento. Eu não gostei dessa proposta e vetei. Mas o projeto voltou para o Congresso, e o Congresso derrubou o veto, com votação qualificada, e passou a ser lei. Eu não posso fazer mais nada, tenho que cumprir o orçamento.”

 

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