Reuters

O Irã realizará julgamentos públicos de cerca de mil pessoas em Teerã, acusadas por distúrbios, informou a agência de notícias semioficial Tasnim nesta segunda-feira (31), enquanto as autoridades intensificam os esforços para reprimir mais de seis semanas de protestos desencadeados pela morte da jovem Mahsa Amini sob custódia policial.

Um dos maiores obstáculos aos líderes clericais do Irã desde a revolução de 1979, os protestos continuam apesar das advertências cada vez mais severas: a Guarda Revolucionária, no sábado (29), disse aos manifestantes que fiquem fora das ruas.

Os líderes iranianos descreveram os protestos como uma trama de inimigos da República Islâmica, incluindo os Estados Unidos e Israel. Manifestantes de diferentes origens têm participado, com estudantes e mulheres desempenhando papel proeminente, acenando e queimando lenços na cabeça.

A agência Tasnim, citando o chefe de Justiça da província de Teerã, disse que os julgamentos de cerca de mil pessoas “que realizaram atos de sabotagem em eventos recentes, incluindo agredir ou martirizar guardas de segurança, e incendiar propriedades públicas” ocorrerão em um Tribunal Revolucionário. Os julgamentos serão realizados em público nesta semana, acrescentou a agência.

As autoridades iranianas estão realizando repressão mortal para reprimir os distúrbios. A agência de notícias ativista HRANA informou, no sábado, que 283 manifestantes foram mortos nos atos, incluindo 44 menores. Cerca de 34 membros das forças de segurança também foram mortos.

 

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