Polícia apura se menino de 12 anos morto foi alvo de homofobia; padrasto está preso

A mãe afirmou que encontrou o adolescente desacordado, molhado e coberto por vômito. Ainda pelo relato dela aos policiais, o padrasto contou que o menino teria passado mal após praticar exercício

A Polícia Civil de São Paulo investiga se a morte de Luiz Fellipe Darulis, 12, ocorreu por homofobia. O padrasto dele, Cirilo Abe Barreto, 46, foi preso em flagrante por suspeita do crime. O caso aconteceu em Monte Mor (a 118 km da capital) no último sábado (27).

Barreto não havia apresentado advogado até a tarde desta terça-feira (30). Durante audiência de custódia, o padrasto afirmou que agrediu o enteado pois ele teria praticado um “ato de desrespeito”, sem detalhar o episódio. Ele está detido na cadeia da vizinha Sumaré, também no interior de São Paulo.

“Temos essa informação, sobre homofobia, e vamos chamar familiares, pessoas ligadas à família para entender se isso, de fato, acontecia e se era motivo de conflito entre os dois”, disse o delegado Fernando Bueno.

Segundo polícia, o suspeito obrigou o garoto a fazer agachamentos ininterruptos, depois de agredi-lo com golpes de madeira.

A mãe afirmou que encontrou o adolescente desacordado, molhado e coberto por vômito. Ainda pelo relato dela aos policiais, o padrasto contou que o menino teria passado mal após praticar exercícios.

O adolescente foi socorrido, mas chegou já morto ao Hospital Beneficente Sagrado Coração de Jesus.

À reportagem a Prefeitura de Monte Mor afirmou que a Secretaria de Educação do município já havia recebido da escola notificações por suspeita de maus-tratos sofrido pelo menino e que acionou o Conselho Tutelar.

Em nota, a SSP (Secretaria da Segurança Pública do estado) informou que não poderia dar detalhes do caso por envolver um adolescente.

Barreto é professor temporário em uma escola em Hortolândia. A Secretaria da Educação do estado diz que iniciou o processo de extinção contratual e segue à disposição das autoridades para colaborar nas investigações.

O corpo de Luiz Fellipe foi sepultado na tarde de segunda-feira (29), sob forte comoção e indignação de colegas e familiares.

Antônio Gonçalves, professor na escola em que o adolescente estudava, disse que o garoto era querido por funcionários e colegas. “Toda a comunidade escolar ficou bem abalada, porque ele era um garoto bem querido, bem simpático. Estava sempre sorrindo, recebia os professores muito alegre.”

Em nota, a Prefeitura de Monte Mor lamentou a morte do menino.

“Luiz Fellipe será lembrado não apenas como um aluno, mas também como uma presença alegre e querida em nossa comunidade escolar. Sua partida precoce deixa um vazio em nosso coração. Que Deus conforte a todos os que estão sofrendo com essa perda e que a lembrança dos momentos compartilhados com Luiz Fellipe seja fonte de conforto e paz neste momento de luto”, diz o comunicado.

POR FOLHAPRESS