Ucrânia aprova recrutamento de presidiários pelo Exército em troca de anistia por crimes

Soldados ucranianos aguardam ordens para disparar contra posições russas distantes apenas três quilômetros dali. Com a escassez de munições, os soldados passam horas e horas aguardando ordens para disparar. Foto tirada na Floresta de Kremina, Oblast de Donetsk, Ucrânia — Foto: Yan Boechat

Medida, que exclui presos por crimes graves, foi aprovada pelo Parlamento ucraniano com 279 votos a favor.

O Parlamento da Ucrânia aprovou, nesta quarta-feira, um projeto de lei que permite que presidiários que cumprem pena no país sejam recrutados pelas Forças Armadas em troca de anistia pelos seus crimes. A medida, que exclui detentos presos por uma série de crimes graves, ocorre em um momento em que Kiev tenta mobilizar mais soldados para lutar contra a Rússia.

O texto foi aprovado em segunda leitura no Parlamento com 279 votos a favor. Ficam excluídos do recrutamento condenados por delitos graves, como homicídio, violência sexual e atentados contra a segurança nacional, segundo comunicou a deputada Olena Shulyak, aliada do presidente Volodymyr Zelensky.

A Ucrânia tenta desesperadamente repor suas fileiras em um momento em que o conflito no front é favorável às tropas russas e suas forças acumulam derrotas e baixas em suas fileiras. O país tenta lidar com a pressão de famílias que esperam o reconhecimento dos corpos de seus entes queridos, esperando por identificação em necrotérios lotados ou em zonas inacessíveis do campo de batalha.

Oficialmente, o governo ucraniano não divulga o número de soldados desaparecidos em ação — termo que, muitas vezes, é utilizados para militares mortos e não identificados. Em fevereiro, em uma rara declaração, Zelensky estimou que o número de soldados mortos em 31 mil. Estimativas dos EUA sugerem que 70 mil soldados ucranianos tenham morrido até agosto.

 

Fonte: O Globo, com agências internacionais