Atriz Ilva Niño, a Mina de ‘Roque Santeiro’, morre no Rio aos 89 anos

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Ilva Niño, em participação na novela 'Cheias de Charme' — Foto: Estevam Avellar/TV Globo

Artista ficou famosa pelo bordão que a Viúva Porcina (Regina Duarte) usava para chamá-la. Ilva teve uma longa carreira no teatro, cinema e televisão.

A atriz Ilva Niño, a empregada Mina da novela “Roque Santeiro”, morreu no Rio de Janeiro nesta quarta-feira (12), aos 89 anos.

Ilva estava internada no Hospital Quali, em Ipanema, desde o dia 13 de maio, quando passou por uma cirurgia cardíaca.

Ilva foi casada com Luiz Mendonça e teve um filho, Luiz Carlos Niño, ambos já falecidos.

A atriz teve uma vasta carreira na televisão, com mais de 30 novelas e várias participações em séries.

A previsão é que o corpo seja cremado nesta quinta-feira, mas o local e a hora ainda não tinham sido definidos até a última atualização desta reportagem.

A atriz Ilva Niño nasceu na cidade de Floresta, em Pernambuco, e faria 90 anos no dia 15 de novembro. Começou nas artes cênicas quando cursava a Escola Normal e participou de um curso de teatro grego ministrado por Ariano Suassuna. Ela acabou atuando na montagem amadora que o autor fez para “Antígona”, de Sófocles.

A partir daí ela se apaixonou pelo teatro e começou a carreira no Movimento de Cultura Popular durante o governo de Miguel Arraes, no início da década de 1960.

Com o golpe de 1964, ela foi morar com o marido no Rio de Janeiro Os dois já conheciam a cidade, pois haviam se apresentado em um festival de teatro na então capital do país com “O Auto da Compadecida”, em 1957, peça que deu o prêmio de melhor autor a Ariano Suassuna.

Miiinaaaaaaaaaa

Ilva NIño como Mina, de Roque Santeiro, de 1985 — Foto: Geraldo Modesto/Globo

O sucesso popular veio com “Roque Santeiro”, de 1985, quando intrerpretou Mina, a empregada doméstica e confidente da viúva Porcina.

“Uma pontinha de nada em Roque Santeiro, e a Mina não morreu nunca, até hoje todo mundo grita pela Mina na rua. Foi um grande sucesso, merecidamente um grande sucesso. Dias fez uma parte, depois Aguinaldo Silva pegou a outra parte e continuou o grande sucesso”, disse Ilva Niño ao Memória Globo sobre o sucesso da personagem.

Na década de 1980, Ilva Niño se consolidou como uma das artistas mais conhecidas da televisão. Além de Roque Santeiro, ela atuou em “Água Viva”,1980; “Partido Alto”, de 1984; “O Outro”, 1987; “Bebê a Bordo”, de 1988, e “Sexo dos Anjos”, de 1989.

Ilva Niño também participou da primeira minissérie da Globo, “Lampião e Maria Bonita”, de 1982, de Aguinaldo Silva e Doc Comparato. Ela viveu Odete, a mãe de Maria Bonita.

A atriz seguiu atuando nos anos 1990 e 2000, com “Pedra sobre Pedra”, de 1992; “Tropicaliente”, de 1994; e “História de Amor”, de 1995. Ela também esteve em “Suave Veneno” e “Terra Nostra”, ambos de 1999; “Porto dos Milagres”, de 2001; “Senhora do Destino”, de 2004; “Alma Gêmea”, de 2005″; e “Sete Pecados”, de 2007.

Em 2009, Ilva Niño esteve em “Cama de Gato”. Dois anos depois, em 2011, ela mãe do cangaceiro vivido por Domingos Montagner, em “Cordel Encantado”. A artista destacou que era um trabalho diferente da mãe de Maria Bonita.

“Foi encantado mesmo, é outra relação do cangaço, não era aquela relação do Lampião, era mais fantasia, mais cordel mesmo. Você assiste à novela inteira e os cangaceiros não matam uma pessoa, não dão tiro em ninguém, não usam a arma para nada”, disse a atriz.

A atriz está no ar na reprise da novela “Cheia de Charme”, de 2012. Ela também fez a segunda versão de “Saramandaia”, de 2013, e a temporada de “Malhação” de 2015.

Sobre ter interpretado muitas empregadas domésticas, Niño destacava a importância da categoria.

“Ela não entra mais em cena apenas para servir a mesa ou mexer panela na cozinha. Ela agora está inclusa na comunidade familiar da casa. Trabalha na sua casa porque você precisa dela e ela precisa do emprego, então existe uma troca, uma necessidade”, afirmou Ilva Niño ao Memória Globo.

Amor ao teatro

Em 2016, a atriz promoveu a reabertura do Teatro Niño de Artes Luiz Mendonça, na Lapa, na região central do Rio. Fechado por dois anos, o local reabriu as portas com a proposta de trazer para a área um espaço para a exibição de espetáculos teatrais e musicais.

O Teatro Niño de Artes Luiz Mendonça é uma homenagem ao dramaturgo e diretor Luiz Mendonça, falecido em 1995. Ilva Niño, viúva de Luiz Mendonça, criou e manteve o espaço. Desde sua fundação, em 2003, o teatro vem apresentando peças teatrais, grupos musicais e abrindo espaço para novos artistas.

Por g1 Rio de Janeiro 

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