São João 2024 movimenta mais de R$ 700 milhões na PB: ‘realizei sonhos da minha família’, diz comerciante

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Pirâmide do Paque do Povo para o São João 2024 de Campina Grande, Paraíba — Foto: Emanuel Tadeu/Divulgação

Campina Grande, Patos e Bananeiras, juntas, devem injetar R$ 730 milhões na economia da Paraíba em 2024.

Os festejos juninos, juntando três das principais cidades da Paraíba nessa época do ano, movimentam mais de R$ 700 milhões na economia do Estado. Essa movimentação econômica beneficia a vida de muita gente. Os dias de comemoração parecem poucos se comparados a um ano inteiro, mas é o suficiente para algumas famílias construírem sonhos e, mais do que isso, realizá-los.

Rosângela Lopes trabalha como comerciante no Parque do Povo, em Campina Grande, há quase 40 anos. Segundo ela, a renda dos dias de festa faz toda a diferença no orçamento anual da família.

“Comecei quando o São João também começou. É uma história familiar. E hoje eu sigo aqui. Já tive filhos que foram criados aqui, dentro do Maior São João do Mundo. A gente passa o ano esperando”, disse Rosângela.

Também conforme a comerciante, os valores que ela consegue arrecadar durante o mês de junho foram e ainda são responsáveis pela realização de grandes sonhos da família.

“Nós, que vivemos com apenas um salário mínimo, sempre temos muitos sonhos a realizar. Eu até me emociono em falar porque a gente espera esse evento o ano todo. E entre esses sonhos têm a reforma de uma casa, um transporte […] O sonho mais importante que realizei e sempre digo foi a formação do meu filho em administração de empresas. É o meu grande orgulho em dizer o quanto lutei para formar ele. E tudo isso foi com um pouco daqui”, contou.

De acordo com os números analisados pelo Núcleo de Dados da Rede Paraíba, a previsão é que, no total, cerca de R$ 730 milhões de reais sejam injetados na economia paraibana este ano.

Campina Grande, no Agreste do estado, lidera o ranking, com a previsão de R$ 600 milhões circulando até o dia 30 de junho, de acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Patos, no Sertão, segundo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Empreendedorismo da cidade, vem em seguida, com uma média de R$ 80 milhões. Já Bananeiras, no Brejo, também apresenta uma circulação de valores milionários, com a previsão de movimentar R$ 50 milhões, segundo dados da Prefeitura da cidade.

Cada cidade tem um modelo de realização dos festejos juninos distinto. Em Campina Grande são 33 dias de festa, em Bananeiras, 10 dias, e em Patos, cinco dias de shows no Terreiro do Forró.

A professora de economia da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Karla Vanessa, falou sobre como essas festas são importantes para a economia do interior do estado.

Parque do Povo para o São João 2024 de Campina Grande — Foto: Emanuel Tadeu/Divulgação

“Os pontos positivos desses eventos ficam muito claros quando pensamos na dinamização da economia, já que esse período tem um forte impacto nas economias locais, isso tanto em Campina Grande, quanto em Bananeiras e Patos, obviamente em proporções diferentes, diante de cada evento. Também temos a questão dos turistas que consomem e disseminam a nossa cultura para o resto do país”, afirma a economista.

São João de Bananeiras tem casamento coletivo nesta segunda-feira (20) — Foto: Divulgação

O São João antes e depois das PPP

Essas três festas acontecem, hoje em dia, em um modelo de Parceria Público Privada (PPP). Em Campina Grande, por exemplo, esse formato foi implementado em 2017. Antes disso, segundo a assessoria de comunicação da gestão atual, em alguns anos, pelo menos R$ 10 milhões eram investidos dos cofres públicos para a realização do evento.

“No modelo de Campina Grande, por exemplo, em que entra uma empresa privada como promotora do evento, fazendo todas as contratações, captando os patrocínios, decidindo a grade artística… A gente perde um pouco a autonomia de realizar uma festa, digamos assim, mais próxima das que tínhamos tradicionalmente. Por outro lado, se não fosse assim, todo o recurso teria que sair do poder público. Nesse modelo temos uma festa muito mais comercial, que acaba atraindo mais turistas e dinamizando a economia”, pontuou.

Terreiro do Forró, palco do São João de Patos, em 2018 — Foto: Alex Costa/Prefeitura de Patos

‘O São João é o nosso décimo terceiro’

Outros números analisados pelo Núcleo de Dados indicam que a geração de empregos se eleva nesse período.

Patos lidera com a oferta de trabalho, já que são cerca de 5 mil empregos diretos e indiretos gerados durante o mês em que acontece a festa. Em Campina Grande, somente em 2024, devem ser gerados quatro mil empregos diretos e indiretos.

Já em Bananeiras, são, pelo menos, 190 empregos diretos sendo gerados para cargos como agentes de limpeza, agentes de trânsito temporários e barraqueiros cadastrados. Além desses profissionais, ainda há um quantitativo expressivo de taxistas e mototaxistas durante esse período.

A partir desses empregos é que surge a grande diferença na vida de tantos paraibanos. Francinete Filgueira, comerciante de Campina Grande, também tem a renda das vendas do período junino como um décimo terceiro.

‘São João é o Natal do interior da Paraíba’

Para que as festas juninas sejam um sucesso, a movimentação do setor turístico é outro ponto importante. Nas três cidades analisadas, a ocupação de hotéis chega a quase 100%, principalmente no fim de semana de São João, que começa no dia 21 de junho e vai até a segunda-feira, dia 24.

De acordo com o diretor da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis da Paraíba (ABIH-PB), Gustavo Paulo Neto, “a movimentação financeira que traz os turistas que vêm aproveitar essas festividades é muito importante para a economia e toda uma cadeia produtiva, que envolve mais de 70 segmentos.”

Ainda segundo o diretor, “esse período de festa junina é realmente um período de alta estação em todo o interior do estado da Paraíba. O São João é a data mais importante para essa parte do estado, onde se movimenta mesmo a economia. A gente costuma dizer que o São João é o Natal do interior”, afirmou.

Um número mais alto de turistas significa mais consumo, mais vendas e mais dinheiro circulando em todo o estado. O casal carioca Almir da Fonseca e Rosimere Lima esteve na Paraíba pela primeira vez para conhecer os festejos juninos e já aproveitou para consumir bastante da economia local.

“Estamos hospedados em um hotel aqui perto [do Parque do Povo]. Estamos encantados com a cidade. Esse look é da vila do artesão. Até agora, a experiência vem sendo maravilhosa”, contou.

Todo esse sentimento que pulsa mais forte no mês de junho impulsiona o estado o ano inteiro, seja na economia, seja na cultura, seja no desejo do paraibano de viver o São João todo dia.

Por g1 PB 

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