Brasil joga tão pouco que faz torcedor sentir saudades de outros tempos em estreia na Copa América

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Seleção decepciona em empate em 0 a 0 com a Costa Rica pela Copa América

À beira do campo, Dorival Júnior vestia um agasalho inspirado em Zagallo e na seleção brasileira dos anos 90. Dentro do gramado com dimensões reduzidas do SoFi Stadium, era o futebol pouco inspirado — para ser generoso — do Brasil que despertava o saudosismo dos torcedores.

Pode soar como um clichê, mas nem por isso é menos verdade: foi impossível não sentir saudades de outras gerações da Seleção ao assistir ao empate em 0 a 0 com a Costa Rica, nesta segunda-feira (24), na estreia na Copa América.

Ao Brasil, faltou tudo. Protagonistas que resolvessem, um técnico que arriscasse em suas substituições, competência… Ao Brasil, faltou ser Brasil.

Costa Rica amarra um Brasil pouco inspirado

O Brasil encerrou o primeiro tempo com 75% de posse de bola e nove finalizações, contra nenhuma da Costa Rica. A frieza das estatísticas indica uma atuação brasileira soberana em Inglewood, na Califórnia.

Mas o zero no placar é a prova de que a estratégia do adversário foi a que deu certo nos 45 minutos iniciais.

Era um duelo de posturas pré-definidas ao natural. Superior, a Seleção teria a bola para propor o jogo e usar a mobilidade do ataque para (tentar) criar chances. A Costa Rica, por sua vez, se limitaria a fechar todo e qualquer espaço possível. Era o que se esperava, e foi exatamente o que ocorreu.

A seleção costarriquenha estacionou o ônibus com uma linha de cinco defensores dentro da área e outra linha de quatro jogadores postada na altura da meia-lua. Apenas o camisa 9 Ugalde permanecia adiantado, mas sem pretensão alguma de atacar. E foi assim que a Costa Rica amarrou o Brasil.

Não à toa, a Seleção só conseguiu marcar em uma jogada de bola parada. Raphinha cobrou falta na cabeça de Rodrygo, que desviou no primeiro poste. Marquinhos apareceu na segunda trave para completar para o gol, mas em condição de impedimento.

Protagonistas, Vini Jr e Rodrygo não resolvem

A atuação pouco inspirada não significa que o Brasil não teve também algumas mecânicas bem executadas. O jogo coletivo brasileiro funcionou sob vários aspectos.

O sistema de pressão alta, por exemplo, encurralou a saída de bola costarriquenha. Lucas Paquetá aparecia sempre como um meia que pisava na área.

O trio de ataque conseguiu boas triangulações e usava a mobilidade nas trocas de posição para ir à linha de fundo e passes para trás em busca de uma finalização.

Faltou ao Brasil que seus protagonistas decidissem. Artilheiro da Seleção no pós-Copa do Mundo do Catar, Rodrygo não conseguiu causar o impacto de outros jogos na referência do ataque.

E Vini Jr foi ainda pior. O atacante que merece ganhar a Bola de Ouro por tudo o que faz pelo Real Madrid acabou substituído por Savinho.

Rodrygo não conseguiu repetir o seu protagonismo pela Seleção (IconSport)

E Dorival poderia arriscar mais

Além de tudo, o empate em 0 a 0 deixa a sensação de que Dorival Júnior poderia arriscar mais. O treinador só mexeu em uma equipe que tinha dificuldades aos 25 do segundo tempo. Tirou dois atacantes (Vini Jr. e Raphinha) para colocar outros dois atacantes (Savinho e Endrick).

O técnico decidiu abrir mão de um de seus volantes apenas aos 37 da segunda etapa. Foi quando Martinelli entrou na vaga de João Gomes, com apenas 13 minutos para fazer a diferença. Não fez.

A situação no Grupo D

Com o empate, o Brasil ocupa a vice-liderança do Grupo D. A líder da chave é a seleção colombiana, que venceu o Paraguai por 2 a 1 na estreia.

Os jogos da Seleção na Copa América

  • Brasil x Paraguai — sexta-feira, 28 de junho, às 22h (horário de Brasília) — Las Vegas
  • Brasil x Colômbia — terça-feira, 2 de julho, às 22h (horário de Brasília) — Santa Clara

Por Trivela

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