Polícia Federal faz buscas em endereços ligados aos ex-diretores das Lojas Americanas

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PF cumpre mandados de prisão contra ex-diretores da Americanas (Foto: Tânia Rego / Agência Brasil)

Os crimes pelos quais os ex-executivos são investigados são manipulação de mercado e uso de informação privilegiada

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (27), a operação Disclosure, que investiga supostos crimes contra o mercado financeiro e organização criminosa cometidos por ex-diretores e ex-executivos das Lojas Americanas. Entre os alvos, estão o ex-presidente da rede, Miguel Gutierrez, e o ex-CEO João Guerra Duarte Neto.

Na ação de hoje, cerca de 80 policiais federais cumprem dois mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão nas residências dos ex-executivos das Americanas, localizadas no Rio de Janeiro. Os crimes investigados são manipulação de mercado e uso de informação privilegiada.

Os mandados foram expedidos pela 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. Segundo a decisão judicial, a PF atribui aos investigados “manobras fraudulentas” destinadas a alterar “os resultados reais da empresa, com o objetivo de receber vantagens indevidas com o pagamento de bônus por metas atingidas, e elevar de forma ilícita a cotação das ações das americanas, pois, assim, gerariam ganhos financeiros não justificados, visto que alguns dos investigados tinham participação acionária nas empresas”.

As investigações contam com a colaboração da atual diretoria da empresa Americanas, e também identificou fraudes envolvendo contratos de VPC (verba de propaganda cooperada), que consistem em incentivos comerciais que geralmente são utilizados no setor, mas no presente caso eram contabilizadas VPCs que nunca existiram.

Segundo investigadores, as manobras “causaram grande prejuízo para os demais acionistas, principalmente aos minoritários, que, em razão da falsa saúde financeira das empresas, operavam transações acionárias com preços inflacionados”.

As investigações foram abastecidas pelas delações premiadas dos ex-diretores Marcelo da Silva Nunes e Flávia Pereira Carneiro Mota. Eles contaram, em delação premiada, que as fraudes se iniciavam com o preparo, pela equipe de relações com investidores de um arquivo chamado “verdes e vermelhos”, que fazia parte de um “kit de fechamento trimestral”. Nele, constava a expectativa de crescimento por parte de analistas de mercado. Segundo as delações, quando elas não eram atingidas, a diretoria mudava os resultados “para não frustrar as expectativas de mercado”.

Por Portal Correio 

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