Adoção: gesto de amor e esperança que une histórias na Paraíba

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Na Paraíba, há mais pretendentes habilitados pela Justiça para adotar do que crianças esperando pela adoção. Mesmo assim, o número de meninos e meninas que aguardam por um lar chega a 59, em dados atualizados até este mês pela 1ª Vara da Infância e Juventude de João Pessoa, do Tribunal de Justiça da Paraíba. Em contrapartida, 631 pretendentes estão da fila à espera de uma criança em todo o Estado. O que falta para promover este encontro, segundo a própria Justiça, é a flexibilização do perfil que muitas pessoas definem na busca pelo filho ou filha ideal.

“Normalmente uma criança do sexo feminino, entre zero e dois anos de idade e de pele clara”, explica o juiz Adhailton Lacet da 1ª Vara. Para que esta conta comece a ficar equilibrada, o próprio juiz salienta a necessidade de abrir a opção. Foi o que fizeram Edilson e Ronaldo. Recentemente habilitados para adoção, o casal está na expectativa de finalmente receber seu primeiro filho.  Para isso, não fizeram exigências e, atualmente, estão na posição 215 na fila de espera. Eles, no entanto, consideram esse tempo como a gestação da criança, e sua habilitação como o teste positivo de gravidez.

O casal fez questão de registrar todo o processo de habilitação e pretende continuar com os registros para que, quando o filho ou a filha chegue, tenha noção do amor que receberá da família.

“A gente pensa que já do primeiro momento essa criança perceba que tem dois homens que começaram a amá-la mesmo sem vê-la, que ela foi desejada, foi querida. A gente celebra isso desde o primeiro dia que a gente foi à Vara da Infância”, contou Edilson.

Esta foi uma emoção já vivenciada pela professora Lígia Cordeiro quando Maria Brito chegou a sua casa. Adotada após a mãe falecer, Maria encontrou no novo lar a tranquilidade e afeto necessários para seguir em frente. Com apenas sete anos, ganhou mais irmãos e pais dedicados aos seu desenvolvimento. Antes educadora da escola em que Maria estudava, Lígia passou a cumprir um novo papel na vida da menina. A relação professora/aluna transformou-se em amor de mãe/filha antes mesmo da adoção. De lá para cá, são 13 anos de uma nova rotina e de sinergia entre as duas.

O que os dois casos têm em comum é uma mensagem deixada para quem deseja adotar uma criança. Uma mensagem de apoio e incentivo para os que ainda têm dúvidas sobre o enfrentamento deste processo e que demonstra, ao final, que o amor vale a pena.

Confira a matéria especial do Repórter MaisTV:

Bruno Marinho – MaisPB