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Copa feminina representa vitória para comunidade LGBT

© FRANCK FIFE A americana Megan Rapinoe ganhou a Bola e a Chuteira de Ouro, como melhor jogadora e artilheira da Copa do Mundo da França, em Lyon, no dia 7 de julho de 2019

As americanas conseguiram no domingo conquistar o tetracampeonato mundial de futebol feminino, um êxito que também representa uma vitória para as jogadoras lésbicas, que falaram com orgulho de um tema que segue sendo um tabu no esporte: a orientação sexual.

“Vamos, gays!”, exclamou a atacante Megan Rapinoe, eleita no domingo a melhor jogadora e artilheira da Copa. “Não dá para vencer um campeonato sem gays na equipe, nunca conseguiram. Está provado cientificamente”, acrescentou em tom jocoso.

As declarações de Rapinoe não são apenas uma piada com uma ponta de provocação, segundo Dawn Ennis, uma das responsáveis da Outsports, um portal esportivo especializado no tema das minorias sexuais.

Ter jogadores ou jogadoras que assumem sua homossexualidade é benéfico para uma equipe, afirma. “Ser quem você é, ser verdadeiro e autêntico, te torna uma pessoa melhor. E não ter que pensar no segredo que se quer esconder te torna um esportista melhor”.

As federações de futebol “devem assegurar de que os jogadores podem ser eles mesmos. É de seu próprio interesse, para que não se preocupem” e possam se concentrar nas partidas, diz Ryan Adams, presidente da North American Gay Soccer Association, que promove a inclusão da comunidade LGTB (lésbicas, gays, transexuais e bissexuais) no futebol nos Estados Unidos.

© CHRISTOPHE SIMON Ali Krieger (direita) comemora o título com Alex Morgan, no dia 7 de julho de 2019, em Lyon

Rapinoe não é a única jogadora da equipe americana que fala abertamente de sua homossexualidade. Além da técnica Jill Ellis, cinco campeãs do mundo são lésbicas, entre elas Ashlyn Harris e Ali Krieger, que são namoradas e vão casar em breve.

As holandesas, que perderam a final contra os Estados Unidos, também tinham cinco lésbicas no elenco.

Segundo a Outsports, cerca de 40 jogadoras que participaram da competição na França são da comunidade LGBT.

O número “aumenta e seguirá aumentando”, prevê Adams. “Elas mostraram a outras pessoas e esportistas que não saíram do armário que podem ser elas mesmas e jogar com os melhores. É fantástico em termos de visibilidade”.

Onde estão os homens? 

A edição de 2019 da Copa do Mundo feminina foi a de maior audiência da história do campeonato e coincidiu com a celebração do mês do Orgulho LGTB no mundo.

“As pessoas como eu, que lutam pelas mesmas coisas que eu, me motivam (…) Então ser homossexual e sensacional durante a Copa do Mundo no mês do Orgulho é muito bom”, declarou Rapinoe.

“O maravilhoso é que essas mulheres que saíram do armário não só o fizeram mas além disso estão orgulhosas e são fortes! Assumem plenamente sua identidade e sua orientação”, diz Ennis.

A dúvida é se a sociedade americana está preparada para aceitar totalmente as jogadoras homossexuais. Adams acha que essa mudança está em curso, embora os estereótipos persistam.

“Nos Estados Unidos infelizmente as pessoas sempre acham que as esportistas muito boas são lésbicas. É falso e injusto”, lamenta.

Para os homens a situação é diferente, como costumam mostrar os comentários nas redes sociais, os cantos nos estádios ou as reações indignadas quando jogadores como Antoine Griezmann aparecem em capas de revistas como a francesa “Têtu”, dedicada à comunidade gay.

“Para os homens que se apresentam como gays, sempre existe a ideia de que é mais frágil e menos masculino”, lamenta Adams.

“Sabemos que há esportistas homossexuais ou bissexuais, mas há dois pesos e duas medidas” em relação às mulheres, confirma Ennis.

O número de futebolistas profissionais que saíram do armário é escasso, e nenhum deles participou da Copa do Mundo do ano passado na Rússia.

AFP

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