Grupos indígenas ocupam prédio do Ministério da Saúde na 702 Norte

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(foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)

Cerca de 1500 mulheres indígenas reivindicam melhorias na saúde, se colocam contra a municipalização da saúde indígena e pedem a saída da secretária Especial de Saúde indígena

(foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)
Grupos indígenas ocuparam o prédio do Ministério da Saúde localizado na quadra 702 da Asa Norte, na manhã desta segunda-feira (12/8). Cerca de 1500 mulheres índigenas reivindicam melhorias na saúde, se colocam contra a municipalização da saúde índígena, que prevê que eles sejam atendidos em centros de saúde, junto aos demais cidadãos (Hoje, o atendimento é feito nas próprias aldeias, com treinamento específico dos profissionais) e pedem a saída da secretária Especial de Saúde indígena, Sílvia Waiãpi.
Os indígenas acessaram o 4º e 7º andar do prédio e entoaram cânticos e danças. A Polícia Militar reforçou a segurança no local e acompanhou a manifestação.
As lideranças indígenas exigem ainda a presença do ministro da saúde, Luiz Mandetta. Os povos estão reunidos em Brasília desde domingo (11/8) para a primeira edição da Marcha das Mulheres Indígenas. A marcha, organizada pela Articulação Brasileira dos Povos Indígenas (Apib), visa discutir o que é ser mulher nas comunidades indígenas. As atividades continuam até quarta-feira (14/8).
Presente no ato, a coordenadora executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasi, Sônia Guajajara, ressalta a importância do fortalecimento da saúde indígena. “Colocaram uma secretária indígena na pasta pra dizer que tem representatividade, mas ela não tem compromisso com a nossa gente. Queremos o fortalecimento da saúde especial e dos subsistemas. Além disso, somos contra a legalização da mineração, do desmatamento. Não vamos aceitar política genocida do governo Bolsonaro. Não somos obrigadas a aceitar nenhum tipo de destruiçao dos nossos direitos”, concluiu.
Maisa Guajajara, 26 anos, veio do Maranhão para participar do ato. Ela aponta que é um momento de inserção da mulher indígena na luta por um país melhor. “A saúde indígena está fragilizada, não temos assistência de carro. Tem criança e idoso morrendo por falta de atendimento. O país tem que saber da nossa situação nas aldeias”.
A indígena Teresa Cristina Kezonazokere, 43 anos, ressaltou a necessidade do atendimento diferenciado. “Queremos saúde diferenciada para o nosso povo. Que o que já temos de direito na legislação não retroceda. Estamos abandonados. Com a municipalização então, nem se fala. Tratam o indígena como um animal, com descaso. Queremos falar com Mandetta, porque é ele quem assina. Não vamos aceitar a retirada de direitos”, afirma.
Nesta terça-feira (13/8), as lideranças se reunem ao ato estudantil. As atividades continuam até quarta-feira (14/8), quando se unem à Marcha das Margaridas.
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