Mancha de petróleo avança no Nordeste e biólogos temem que afete reprodução de baleias

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Baleia jubarte no litoral da Bahia. Estado tem 5 localidades com registro de óleo nas praias. — Foto: Julio Cardoso/ProBaV
Tartaruga é encontrada morta em ilha do Delta do Parnaíba, na divisa com o Piauí — Foto: Reprodução

Dimensões incertas

Questionados pela reportagem da BBC News Brasil, o Ibama e o governo federal não souberam informar o tamanho da mancha de óleo próxima ao litoral brasileiro. Também não disseram se tomarão medidas emergenciais para conter o avanço do petróleo em direção à costa ou para que ele se espalhe pelo oceano.

O Instituto Biota, porém, conta com um “exército” de moradores para se manter informado.

A ONG especializada em pesquisa científica e conservação da fauna e ecossistemas marinhos criou uma rede de informações por meio da ajuda de moradores para monitorar a costa alagoana.

Dessa forma, eles monitoram desde as praias mais movimentadas até as mais desertas e pouco urbanizadas sem a necessidade de estar presente fisicamente em todas elas.

Por meio do aplicativo Biota FMA Conservação Marinha, os moradores podem registrar ocorrências por meio de fotos e solicitar apoio especializado.

“Isso nos ajuda a monitorar uma faixa muito maior do que poderíamos normalmente. Os moradores estão na praia quase 24 horas por dia e a gente conta com eles para alertar os órgãos ambientais e fazer os resgates no menor tempo possível. A população é o nosso maior parceiro”, disse Bruno Oliveira, da ONG que desenvolveu o aplicativo.

Para especialistas, o mais importante é cuidar para evitar que o óleo se espalhe e cause mais danos. A intenção é evitar que animais e pessoas tenham contato com o óleo para que as pessoas não se contaminem. Uma pessoa relatou ter passado mal após ter comido um peixe que ingeriu óleo.

“Nossa intenção é evitar qualquer contato. É mais fácil identificar e evitar ingerir animais maiores porque são mais evidentes, mas os menores podem ser ingeridos e entrar na cadeia alimentar sem ser percebidos”, disse Oliveira

O Estado de Sergipe decretou situação de emergência e pediu para que nenhum morador use as praias e não entre em contato com o óleo, mesmo que tenha a intenção de ajudar. Em caso de emergência, a recomendação é acionar os órgãos responsáveis.

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sobrevoou o litoral sergipano durante cerca de 30 minutos nesta segunda-feira para avaliar a extensão das manchas.

Sem entender a dimensão da mancha de óleo, os especialistas ouvidos pela reportagem dizem que é difícil prever o que pode acontecer no Brasil.

“Se ocorreu algo com a dimensão da explosão da plataforma Deepwater Horizon, que deixou 11 trabalhadores mortos e derramou milhões de barris de petróleo no Golfo do México, com certeza tem um potencial maior de afetar esses bichos. Lá morreram diversas baleias e golfinhos”, afirmou o coordenador do Instituto Baleia Jubarte.

G1