Opinião: a negligência da gestão Luciano Cartaxo e as chuvas que transformam João Pessoa numa “Veneza” caótica

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“Tomara que chova/Três dias sem parar/Tomara que chova/Três dias sem parar…”. Quando a (Eterna Rainha do Rádio) Emilinha Borba gravou essa marchinha de carnaval em 1951, o  prefeito de João Pessoa era  Luiz de Oliveira Lima e a capital paraibana tinha uma população estimada em pouco mais de  119 mil habitantes , segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

O crescimento exponencial de habitantes acompanhou o mesmo fenômeno registrado em outras capitais do país. O senso realizado em 2018  apontou que a capital paraibana possui  pouco mais de 800 mil habitantes. E nessa expansão demográfica, seriam naturais a formulação de planos diretores ao longo das décadas, a fim da cidade suportar os impactos do chamado progresso.

Mais isso não houve, infelizmente. A frota de veículos em João Pessoa, antes incipiente na década de 50, está próximo a 385 mil unidades. Novas ruas e avenidas foram abertas, e nessas artérias a expansão imobiliária  foi e é de grande proporção.  Grandes empreendimentos foram erguidos, verdadeiras torres construídas, numa verticalização como nunca se viu antes na capital paraibana.

Enquanto isso,  dormindo em quase “berço esplêndido”, a atual gestão municipal, capitaneada pelo prefeito Luciano Cartaxo busca, ao que parece, deseja rivalizar João Pessoa com Veneza. Em muitos corredores e vias públicas, em dias de fortes chuvas, saem da condição de ruas para verdadeiros canais.

Casos eternos como parte da Avenida Ministro José Américo de Almeida, mais conhecida como Beira Rio, as proximidades da CBTU, no Varadouro, e na principal artéria da cidade, a Avenida Epitácio Pessoa, são invadidas pelas águas pluviais. Não fosse trágico, seria romântico os que habitam em João Pessoa irem para seus trabalhos de gôndolas. Mas é claro que isso não ocorre.

Todos, inclusive o prefeito Luciano Cartaxo e sua equipe técnica, sabem que o mês de junho é chuvoso no litoral paraibano, e nossa Filipeia de Nossa Senhora das Neves não é exceção. Aí reside a dúvida: qual o motivo da gestão pública não se preparar para esses altos índices pluviométricos, como a desobstrução adequada das galerias pluviais, limpeza dos lixos acumulados em terrenos desabitados, a construção de um sistema de drenagem eficiente etc?

Cenas como crateras se abrindo no bairro de Jaguaribe, barreira desabando próximo ao viaduto Miguel Couto, pessoas de barco nos bairros periféricos e Centro da cidade, veículos “tragados” pela água na Epitácio Pessoa e Beira Rio, árvores caídas, além das 30 áreas de risco da que põe a Defesa Civil em alerta máximo são uma constante, daí a pergunta: até quando?

E João Pessoa segue em ritmo lento no quesito “escoar água”. A tendência é haver uma aceleração sim. Mas no que diz respeito a mais buracos nas vias públicas e inúmeros problemas causados não pela natureza, mas pela negligência do poder público. Por fim, uma alfinetada a mais: perdemos mais alguns centímetros da nossa bela, mas agonizante Barreira do Cabo Branco.  E agora, prefeito?

 

Eliabe Castor
PB Agora