2016: Ano do Centenário de Osmar de Aquino, será que haverá comemoração?
A Paraíba em épocas passadas orgulhava-se por possuir nomes de grandes políticos que repercutiram no cenário nacional, dentre eles podemos destacar: João Pessoa, José Américo, Ruy Carneiro, Argemiro de Figueiredo, João Agripino, Ernani Sátiro, Abelardo Jurema, José Joffily, Samuel Duarte, Alcides Carneiro, Osvaldo Trigueiro, Humberto Lucena. Fazendo parte dessa escola da política paraibana não podemos jamais esquecer o consagrado nome do tribuno guarabirense Osmar de Aquino.
Mas quem foi o político Osmar de Aquino?
Osmar destacou-se na política paraibana primeiro por sua firme posição ideológica (socialista convicto) segundo por possuir a volúpia da palavra, nesse particular igualava-se a nomes como: José Américo, Argemiro de Figueiredo, Raimundo Asfora e Alcides Carneiro, monstros sagrados da oratória paraibana, nomes sempre presentes nos palanques políticos.
Osmar sempre emprestou sua solidariedade e sua voz em defesa das grandes causas nacionais como: A luta contra o Estado Novo; A redemocratização de 45; A campanha o Petróleo é Nosso. Osmar de Aquino nasceu no dia 11 de dezembro de 1916, não obstante ser oriundo da oligarquia rural abraçou o socialismo como causa de vida asseverou-se dessa sua inabalável convicção após aprofundar-se na leitura da doutrina marxista.
Aos 29 anos fora eleito deputado federal constituinte em 1945 pela U.D.N, nessa grei integrava a Ala Moça da Esquerda Democrática, em tempo de grandes nomes presentes no Congresso, legislou ao lado do escritor baiano Jorge Amado eleito pelo P.C.B da Bahia, pessoa com quem dividia os mesmos ideais de vida.
O cronista paraibano Gonzaga Rodrigues enfatiza que a bancada paraibana de 45 na Câmara Federal ombreava-se a qualquer outra do país (Osmar, J. Agripino, E. Sátiro, S. Duarte, J. Joffily, Plínio Lemos, Argemiro).
Corajoso nas ideias, bravo em suas atitudes, insuperável na independência do seu pensar, no dia 07 de agosto de 1948, Osmar ergueu sua intimorata voz restrugindo no plenário da Câmara contra a cassação do registro do Partido Comunista ação arbitrária perpetrada pelo governo Dutra.
Durante a implantação da Assembleia Constituinte conheceu e tornou-se grande amigo de Luiz Carlos Prestes “O Cavaleiro da Esperança”.
No ano de 1955, Osmar concorreu a eleição para prefeito em sua terra contra o médico Dr. Pimentel Filho, venceu o pleito graças ao poder carismático de sua oratória, seus discursos materializava-se em esperança para classe pobre da cidade que via no “Dr. Osmar” o fiel amigo de sempre. A recíproca era verdadeira.
A partir do início de 1960, engajou-se com ardor em favor do movimento das Ligas Camponesas defendendo os campesinos da perversa exploração latifundiária, nessa luta estava a seu lado: Assis Lemos, José Gomes da Silva, Agassiz de Almeida, Gonzaga Rodrigues dentre outros corajosos paraibanos.
Em 1968, já como Deputado Federal pelo M.D.B emprestou sua ajuda a Ronaldo Cunha Lima - utilizando-se de uma sub-legenda do M.D.B seus votos fizeram Ronaldo prefeito de Campina Grande.
Osmar de Aquino teve seus direitos políticos cassados pelo AI-5 porque combateu com invulgar coragem o regime ditatorial implantado ao país a partir de 1º de abril de 1964. Destacou-se Osmar ainda como brilhante tribuno forense convertendo-se em um dos mais destacados advogados do solo paraibano. Osmar faleceu aos 64 anos no dia 08 de maio de 1980, sendo sepultado em Guarabira. Eis aqui um modesto e simplório resumo desse ilustre filho de Guarabira.
Esperamos que no transcorrer do ano do seu centenário (2016) os poderes constituídos de nossa cidade (Prefeitura, Câmara) como os diretórios dos diversos partidos (PSDB, PMDB, PSB, DEM, PSD, PTB, PDT, PV, PT e outros) possam realizar pelo menos uma semana (ou um dia) de grandes debates em nome desse político que serviu de paradigma para muitos dos que atuam na política partidária da “Terra da Luz”. Quem viver verá!
…. Metralhadoras e cassetetes podem paralisar corpos, mas não detém o vôo da imaginação criadora que nasce da alma sofrida do povo ….
(Trecho de discurso de Osmar de Aquino)
Vicente Barbosa (Professor)