A candidata a prefeita de Itaporanga Naura de Berguim foi vítima de ‘comentários misóginos’, na noite dessa terça-feira (20), nas redes sociais, denunciou a coligação “Pelo bem de Itaporanga”.

As postagens foram feitas em um grupo de whatsapp da região, com um  indivíduo que teria tentado minimizar a candidata com frases, tais como: “onde vai homem não tem pra mulher”; “na política mulher fica em segundo plano”, e “lugar de mulher é em casa de quarentena”. Ele também disse que mulher só sabe ser nervosa, tudo sob a desculpa de ser “sem preconceito”.

O setor jurídico da coligação disse que se prepara para entrar com ação criminal “Nos termos da Lei n. 13.642/18, levarei a Notícia de Fato à Polícia Federal, a quem compete a investigação do crime de MISOGINIA nas redes sociais. Espero apuração rígida, com o natural efeito pedagógico que daí virá”, disse o advogado Paulo César, membro da equipe jurídica da coligação “Pelo bem de Itaporanga”.

O fato repercutiu  na cidade e no próprio grupo, com várias manifestações de reprovação à postura. Após a repercussão negativa dos comentários, os administradores acabaram com grupo.

Confira abaixo a nota divulgada pelo jurídico da Coligação:

“UM CRIME CHAMADO “MISOGINIA”

Ficamos todos estarrecidos com palavras de cunho machista, dirigidas de forma ignóbil, como se fossem normais, num clima de debate político no GIRO DE NOTÍCIAS, grupo de WhatsApp dos mais populares de Itaporanga.

O estarrecimento não foi somente pela insanidade das palavras dirigidas: “onde vai homem não tem pra mulher”; “na política mulher fica em segundo plano”, e “lugar de mulher é em casa de quarentena”, tudo sob a desculpa de ser “sem preconceito”.

O que a mim estarreceu foi que poucos levantaram a voz contra essa atitude vil, covarde e preconceituosa. O que a mim estarreceu foi a inércia dos administradores em não excluir do grupo aquele modelo de troglodita. O que a mim estarreceu foi a mudez de muitos, pela simples conveniência eleitoreira.

Que ridículo!

Não posso ficar calado!

Como filho, irmão, marido, pai e profissional do direito, tenho por obrigação que levantar minha voz contra esse tipo de manifestação, vinculada à asneira típica do pensamento machista, que julga ser melhor simplesmente porque tem testículos.

Nos termos da Lei n. 13.642/18, levarei a Notícia de Fato à Polícia Federal, a quem compete a investigação do crime de MISOGINIA nas redes sociais. Espero apuração rígida, com o natural efeito pedagógico que daí virá.

Não o farei somente por NAURA, primeira e imediata vítima das palavras preconceituosas publicamente lançadas, mas também por minhas amigas, por minhas cunhadas, por minhas primas, por minhas sobrinhas, por minhas irmãs, por minhas tias, por minhas filhas, por minha esposa e por minha mãe. Farei também por mim, senão ficarei humilhado na minha honra de filho, de marido e de pai, porque serei menos homem, se ficar inerte diante desse absurdo.

Itaporanga, 21 de outubro de 2020.

PAULO CÉSAR CONSERVA
Advogado”