O GP do Brasil vai ressurgir no calendário da Fórmula 1 em 2021 na praça à qual está acostumada nas últimas três décadas. Sem o pretenso autódromo do Rio de Janeiro e qualquer indicação de que haverá um aval das autoridades competentes para as liberações ambientais, a direção da categoria pôs os pés no chão e voltou a negociar com a Interpub a realização da corrida em Interlagos.

Espera-se para os próximos dias a divulgação de um calendário de 23 corridas para a próxima temporada, o que seria o novo recorde da F1. O Brasil, nesta condição, entraria como extra, na base do asterisco, já que as negociações com São Paulo ainda estão em andamento.

O recuo da Fórmula 1 partiu do próprio Chase Carey, que notou que seu lobby sobre o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, por meio de uma carta, não surtiu efeito imediato. O diretor-executivo da F1 cobrara do governante a liberação da área da floresta do Camboatá, em Deodoro, para que as obras do autódromo pudessem ser realizadas e o acordo com a Rio Motorsports, de José Antonio Soares Pereira Jr., ou JR Pereira, tivesse validade. O conteúdo da carta foi revelado em primeira-mão pelo jornalista Américo Teixeira Jr., do Diário Motorsport, parceiro do GRANDE PRÊMIO.

No Rio de Janeiro, o caso do autódromo encontra-se na Procuradoria do Inea, que encontrou “dúvidas” no parecer assinado por cinco representantes de seu próprio órgão. O parecer apontava erros, dúvidas e irregularidades no relatório elaborado pelo EIA, freando as intenções da Rio Motorsports e do próprio governo municipal.
Ao ver que daquele mato não sai autódromo, Carey procurou a prefeitura de São Paulo no fim de outubro para retomar as conversas relacionadas a Interlagos, soube o GRANDE PRÊMIO. A data coincide também com o término do prazo estipulado pela Fórmula 1 para validar o acordo de direitos de transmissão da categoria em território brasileiro, também com a mesma Rio Motorsports. Assim, tratava-se de uma minuta de contrato entre as partes.
A Globo havia desistido de renovar o contrato para a próxima temporada pelo alto preço cobrado pelo Liberty Media. A companhia que controla a Fórmula 1 cobrava US$ 22 milhões – cerca de R$ 120 milhões – para um novo acordo. A Rio Motorsports, com ajuda de gente que ainda presta serviço para a emissora, entrou na jogada e convenceu Carey de que seria a melhor opção. Passou a ter 45 dias para indicar as garantias financeiras para tal.

A Rio Motorsports, meses antes, havia dado um calote na Dorna, promotora e detentora dos direitos da MotoGP. Ao não cumprir com as parcelas, a empresa fez com que a Disney tivesse de correr para assinar um acordo diretamente com a categoria das motos e honrar as transmissões que adquiriu a partir da temporada 2020. Com ajuda da ESPN Argentina, um contrato de seis anos foi celebrado e as corridas se mantiveram na tela do FOX Sports.