O dólar fechou perto da estabilidade ante o real nesta sexta-feira (13), mas não sem antes exibir gangorra similar à dos últimos dias, ao fim de uma semana em que a moeda acumulou valorização em meio a aumento de volatilidade.

O dólar à vista registrou variação negativa de 0,07% nesta sexta, para R$ 5,4754. Ao longo do pregão, a divisa oscilou entre R$ 5,527 (+0,87%) e R$ 5,4506 (-0,52%). Na semana, a cotação subiu 1,58%, devolvendo parte do tombo de 6,07% da semana anterior, quando ocorreram as eleições norte-americanas.

O real viu elevação de volatilidade implícita na semana, saindo de 16,6% para 18,2%. Dentre as principais divisas emergentes, apenas a combalida lira turca exibiu maior instabilidade.

O dólar bateu as máximas desta sexta por volta de 13h e, desde então, passou a perder força, em movimento similar ao visto pelo índice da divisa norte-americana no exterior. Mas o real seguiu atrás de vários de seus pares neste pregão, a exemplo de dias anteriores, afetado pelo aumento de receios fiscais no Brasil e pela contínua demanda por dólares para desmonte de operações de “overhedge”.

O real caiu cerca de 1,6% ante o peso mexicano apenas nesta sessão e, na semana, recuou 2,75%. A comparação da moeda brasileira com a mexicana é vista como um bom termômetro da avaliação de investidores internacionais sobre o câmbio doméstico. O real segue próximo de mínimas em mais de 16 anos contra o peso.

Um dos pontos cruciais contra o câmbio é de ordem fiscal, com o mercado ainda receoso sobre o futuro do teto de gastos e frustrado com a lentidão da agenda de reformas econômicas. Citando justamente problemas relacionados às contas públicas, o Itaú Unibanco elevou nesta sexta-feira de R$ 4,50 para R$ 5, o prognóstico para a taxa de câmbio nominal ao fim de 2021.

Estudo da FGV (Fundação Getulio Vargas) mostrou que o desalinhamento negativo da taxa de câmbio no Brasil voltou a aumentar no fim do terceiro trimestre e a ficar entre os maiores já vistos nos últimos anos.

“A persistência do desalinhamento frente a uma melhora consistente dos fundamentos ao longo de 2020 nos leva a reiterar que a desvalorização do real tem sido ocasionada principalmente por fatores de risco relacionados tanto à pandemia quanto à situação fiscal”, disse Emerson Marçal, coordenador do FGV EESP e um dos autores do estudo, de divulgação trimestral.

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