“Nós não vamos aumentar impostos. Então vamos precisar do teto de gastos. O teto virou símbolo, a bandeira contra excesso de gastos. Vamos precisar dele”, reforçou o ministro.

De acordo com ele, governos anteriores permitiram a expansão descontrolada de gastos públicos e causaram a disfuncionalidade e mau funcionamento da economia.

Um dia depois de admitir que o auxílio emergencial será prorrogado no caso de uma segunda onda de covid-19, o ministro afirmou que o benefício vai terminar em 31 de dezembro e que, a partir dessa data, os gastos sociais do governo vão aterrissar no Bolsa Família.
Sobre a criação de um novo programa de renda, disse que não haverá populismo e que ele não será criado se não tiver responsabilidade fiscal. “Vamos travar despesas, pagar pela crise. Não vamos deixar dívidas para nossos filhos e netos.”

O ministro afirmou que a economia brasileira está saindo da recessão e a tendência é de ocorrer menor perda de empregos daqui para frente do que se perdeu nas duas últimas recessões.

“Estamos atravessando esta crise com menos prejuízos que nas crises anteriores, o que mostra que nossos erros de políticas econômicas foram mais prejudiciais à economia do que a pandemia”, afirmou.

Comércio exterior
Segundo o ministro, parte da reação econômica do Brasil veio do setor externo. Ele afirmou que o País tem hoje um superávit comercial de US$ 40 bilhões com a Ásia e que se tirar China e Japão da conta ainda resta um saldo de US$ 20 bilhões.

“As exportações continuam em um ritmo forte e, com a Ásia, que é o novo eixo de crescimento global, temos um superávit maior que com os Estados Unidos. Isso mostra que o Brasil está pronto para entrar nas cadeias globais de produção”, apontou.

De acordo com Guedes, o governo está conversando com Japão, Canadá e Coreia do Sul sobre novos acordo econômicos. “O Brasil está virado para a Ásia”, disse, reforçando que, com a combinação de queda da Selic e alta do câmbio, além do controle dos gastos, as exportações têm aumentado.

Segundo ele, o Brasil colocou um brasileiro na presidência do banco do Brics (Marcos Troyjo) para justamente ajudar a construir uma estrutura transnacional para o Brasil.

“Vamos trazer gás da Argentina e reduzir em 12 dias as viagens para a Ásia. Tenho dito que vamos dançar como todo mundo porque ficamos fechados por 30 anos”, disse.

Ele disse que a proposta do governo é transformar o País e levar o Brasil a ser um Estado social. Isso, de acordo com ele, passa pela transformação do funcionalismo público.

“Pedimos a contribuição do funcionalismo de não pedir aumento de salários durante a pandemia neste e no próximo ano, porque tivemos que gastar quase 10% do PIB em medidas de combate à pandemia”, afirmou.

De acordo com o ministro, só por não ter concedido aumento aos funcionários públicos, nas três esferas, o País economizou R$ 150 bilhões. Se for aprovada a reforma administrativa, de acordo com Guedes, serão economizados mais cerca de R$ 450 bilhões.

“Quebramos a dinâmica explosiva com o controle de gastos e o Brasil estava colhendo os frutos dessa mudança (até a chegada da pandemia)”,disse.

Terra

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