A ministra Ana Arraes, do Tribunal de Contas da União (TCU), emitiu nota, desmentindo as acusações feitas em propaganda eleitoral veiculada pela campanha da canditada à Prefeitura do Recife, Marília Arraes (PT), nesta sexta-feira (27). No vídeo, é inserido um áudio da ministra, supostamente acusando seu neto, o também candidato à Prefeitura do Recife, João Campos (PSB), de agressão. Segundo Ana, a gravação, de poucos segundos, está fora de contexto e foi retirada de uma entrevista de quase 15 minutos dada por ela no ano passado.
“Na condição de ministra do Tribunal de Contas da União, sou impedida pela legislação de assumir posições políticas ou pessoais no processo eleitoral, no Recife ou em qualquer outro lugar. E não admito a utilização de meu nome, sobretudo em peças com viés claro de fake news, tentando prejudicar alguém da minha família. Nunca fui agredida por nem um dos meus netos, com os quais tenho uma relação de amor profundo e carinho”, escreveu Ana Arraes em comunicado divulgado pelo site do TCU.
Entenda o caso
O trecho do áudio em questão foi utilizado na propaganda eleitoral de Marília, veiculada nesta sexta-feira (27), sugerindo que João, seu primo e adversário no segundo turno das eleições à Prefeitura do Recife, teria agredido a avó, Ana, fisicamente.
“Eu espero que ele me peça desculpa. Se ele não me pedir, nem me procurar, o problema é dele, quem me agrediu foi ele. Eu não agredi, nunca agredi nenhum neto”, diz a ministra, após ser questionada pelo entrevistador se estaria magoada com o neto, João. “Pelo contrário. Sempre fui avó, né? Sou uma pessoa calma. Tenho tranquilidade para resolver as coisas. Mas tem coisas que a gente não pode admitir. Eu fui criada e aprendi desde cedo a ter respeito às pessoas”.
Na entrevista, Ana se queixa de uma declaração do neto contra o próprio tio, o advogado Antônio Campos, presidente da Fundaj (Fundação Joaquim Nabuco), órgão ligado ao Ministério da Educação. Em audiência na Câmara dos Deputados, no ano passado, João afirmou que o tio era “um sujeito pior” do que o então ministro da Educação, Abraham Weintraub, alvo da reunião no Congresso.
Ao responder às críticas de João, Weintraub lembrou que o seu tio, Antônio, ocupa o posto de presidente num órgão ligado ao MEC. “Eu nem relação eu tenho com ele. Ele é um sujeito pior do que você”, disse o deputado na ocasião.