Novos áudios mostram uma conversa entre o padre Robson de Oliveira e dois advogados sobre o suposto pagamento de propina no valor de R$ 1,5 milhão a desembargadores do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) para receber uma decisão favorável, segundo os investigadores que apuraram suposto desvio de dinheiro da Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), em Trindade. Os envolvidos se mostram preocupados em repassar o dinheiro aos magistrados para evitar “fechar uma porta”.

A conversa foi gravada pelo próprio padre Robson e tem quase 1h30 de duração. A data em que ela foi feita não foi divulgada. Conforme os investigadores, além do religioso, participam do encontro o advogado Cláudio Pinho e Anderson Reiner Fernandes, então diretor jurídico da Associação Filhos do Pai Eterno. Eles falam que os desembargadores teriam recebido dinheiro em troca da vitória em um processo envolvendo uma fazenda comprada pela entidade religiosa.

Em nota a Presidência do Tribunal de Justiça de Goiás afirmou que desconhece os fatos narrados na reportagem. “Não foram utilizados os meios próprios para trazer ao Poder Judiciário informações ou indícios de eventual conduta inadequada de magistrados para regular apuração. Não se pode presumir a ocorrência de irregularidades no julgamento de processos a partir de conversa mantida entre advogado e cliente”, diz o comunicado.

A defesa de padre Robson afirma que o material original e verdadeiro não foi exibido, pois não pode ser divulgado, já que é mantido em segredo de Justiça. “As suposições são construções fantasiosas para tentar constranger pessoas, já que não se sustentam juridicamente nem sequer foram judicializadas nem representam qualquer ato ilegal”, diz o comunicado.

A Afipe informou, em nota, que “desconhecia os fatos”, reafirma que “o ex-presidente não tem contato com a nova diretoria e que o novo reitor do Santuário de Trindade, desde setembro de 2020, é o padre João Paulo Santos de Souza”.

O G1 não conseguiu contato com os outros citados até a última atualização dessa reportagem, nesta terça-feira (23). Ao Fantástico, que obteve as gravações com exclusividade, o advogado Cláudio Pinho afirmou que o suborno nunca aconteceu e que o áudio investigado é possivelmente uma montagem.

Segundo os investigadores, todas as gravações passaram por perícia técnica, que comprovou serem mesmo do padre. Os áudios estavam em HDs, computadores e no celular do padre – material que foi apreendido durante a Operação Vendilhões, do Ministério Público, em agosto do ano passado.

 

G1