A Espanha decidiu nesta segunda-feira suspender preventivamente a administração da vacina AstraZeneca contra a covid-19, seguindo o exemplo de muitos países diante do aparecimento de alguns efeitos colaterais, anunciou a ministra da Saúde, Carolina Darias.

“Decidimos pela suspensão cautelar, temporariamente, pelo menos pelas próximas duas semanas”, até que a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) se pronuncie sobre os temores relacionados a possíveis casos de trombose, disse a ministro em entrevista coletiva.

 
A decisão foi comunicada esta tarde pela ministra da Saúde, Carolina Darias, numa reunião com as comunidades autónomas convocada com caráter de urgência, segundo a imprensa espanhola.
A Itália, Alemanha, França, Noruega, Áustria, Estónia, Lituânia, Letónia, Luxemburgo e Dinamarca e outros países fora da Europa já interromperam por “precaução” o uso da vacina da AstraZeneca, após relatos de casos graves de coágulos sanguíneos em pessoas que foram vacinadas com doses do fármaco da AstraZeneca.
Por seu lado, a empresa garante que não há motivo para preocupação com a sua vacina e que houve menos casos de trombose relatados nas pessoas que receberam a injeção do que na população em geral.
Em Portugal, a Direção-Geral de Saúde e o Infarmed afirmaram no domingo que a vacina da AstraZeneca podia continuar a ser administrada e frisaram que não há evidência de ligação com os casos tromboembólicos registados noutros países.
Os ministros da Saúde da União Europeia (UE) vão reunir-se na terça-feira em videoconferência organizada pela presidência portuguesa do Conselho, numa altura de novas polémicas com a farmacêutica AstraZeneca por atrasos e problemas nas vacinas contra a covid-19.
À semelhança de outros encontros regulares, a pandemia será o assunto dominante nesta reunião virtual, na qual se discutirá o “caminho a seguir” no combate à covid-19, perante a “preocupante propagação do vírus nos países da UE”, segundo a agenda do encontro.
Em igual sentido, a Agência Europeia de Medicamentos e a Organização Mundial de Saúde (OMS) confirmaram que os dados disponíveis não sugerem que a vacina da AstraZeneca tenha causado os coágulos e que as pessoas podem continuar a ser imunizadas com esse fármaco.
Mesmo assim, a OMS, na vanguarda da luta internacional contra a pandemia, convocou para esta terça-feira o seu grupo de peritos em vacinação para estudar a segurança da vacina da AstraZeneca, anunciou esta agência da ONU (Nações Unidas).
A EMA também anunciou hoje que vai realizar uma “reunião extraordinária” na quinta-feira depois de vários países terem suspendido o uso da vacina AstraZeneca, acrescentando que os benefícios da vacina ainda compensam os riscos.
A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.654.089 mortos no mundo, resultantes de mais de 119,7 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.
Em Portugal, morreram 16.694 pessoas dos 814.513 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.