O Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE) identificou, por meio de cruzamento de dados referentes à imunização contra covid-19, o uso de dados de 27 pessoas que já morreram para furar a fila de vacinação em 22 municípios de Mato Grosso. A partir da constatação dos casos suspeitos, a Corte de Contas notificou as prefeituras para esclarecimentos. Só em Cuiabá, foram 4 casos de pessoas que teriam se vacinado com dados de pessoas mortas.

A descoberta ocorreu através do acompanhamento simultâneo especial realizado pela Secretaria de Controle Externo (Secex) de Saúde e Meio Ambiente do TCE-MT, com foco na efetiva observância dos grupos prioritários previstos nos planos nacional e estadual de imunização.

Os casos teriam ocorrido durante a vacinação do primeiro grupo de profissionais da linha de frente da Saúde e idosos que vivem em abrigos e lares destinados para idosos.

Ao todo, foram identificados 114.858 casos regulares (99,93%) e outros 56 foram apontados como inconclusivos (0,05%), uma vez que o CPF de registro constou na base de dados do Sisobi. A data de vacinação foi posterior à data do óbito, mas o nome ou a data de nascimento do vacinado divergiu da informação referente ao falecido.

Já no caso dos 27 registros classificados como irregulares (0,02%), o CPF do vacinado constou na base de dados do Sisobi, a data de vacinação foi posterior à data do óbito, e o nome do vacinado, assim como a data de nascimento, coincidiu com os do falecido.

A partir da identificação dos indícios de irregularidades, a presidência do Tribunal de Contas emitiu notificação aos 22 gestores municipais para que se manifestem acerca dos motivos que levaram à vacinação das pessoas relacionadas na informação técnica, a fim de melhor elucidar os fatos e propiciar manifestação conclusiva por parte do órgão de controle externo. “Estamos aguardando a defesa desses municípios, demos 15 dias de prazo para que se pronunciem sobre esse fato. Se constatado que foi cometida alguma fraude vamos tomar as medidas cabíveis e usar todas as ferramentas necessárias para que essas pessoas que estão furando-filas sejam responsabilizadas”, afirmou o presidente do TCE-MT, conselheiro Guilherme Antonio Maluf. (Com informações da Assessoria)