Na média delas, os trabalhadores tiveram apenas a reposição da inflação entre a data-base de um ano e a do ano seguinte. Isso aconteceu em sete dos doze meses analisados. Já as negociações que ocorreram nos outros cinco meses acabaram com perda do valor de compra, sendo abril o mês com pior resultado, com queda de 0,7%.

Para negociações com data-base em junho, o reajuste médio nominal foi de 7,1%, abaixo do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) acumulado para um período de 12 meses – fechou em 8,9% até maio. O INPC é o índice do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) que mensura especialmente a variação de produtos e serviços para famílias com renda de até 5 salários mínimos.

“É o resultado de duas forças que atuam contra reajustes reais: desocupação seguida de inflação. Primeiro, a recessão causada pela pandemia, que gerou muita desocupação e retirou poder de barganha dos trabalhadores. Segundo, agora se soma a isso a inflação, que limita a capacidade das empresas de conceder aumentos maiores para compensar a perda de poder de compra dos salários”, afirmou o professor sênior da Faculdade de Economia da USP, Hélio Zilberstein, que é o coordenador do projeto salariômetro da Fipe.

Segundo o novo boletim do Salariômetro, em junho, 41,9% dos reajustes concedidos ficaram abaixo da variação anual do INPC, 30,7% tiveram patamar igual e apenas 27,4% ficaram acima.

Salariômetro
O acompanhamento das negociações coletivas é realizado por meio dos acordos e convenções
depositados na página Mediador, do Ministério da Economia. A Fipe coleta os dados e informações organizando os valores observados para 40 resultados da negociação coletiva, desagregados em acordos e convenções e também por atividade econômica e setores econômicos.