Após ser acusado de espionagem na CPI da Covid, o ministro da Defesa, general Walter Braga etto, telefonou para o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), nesta terça-feira, 3, para rechaçar a afirmação do senador gério Carvalho (PT-SE). Em audiência na CPI, no Senado, o petista relatou ter sido alvo espionagem por parte de militares e creditou a ordem a Braga Netto.

Segundo apurou o Estadão, o general disse a Rodrigo Pacheco que desconhecia o assunto e que este tipo de ato não era prática nem sua nem do Ministério da Defesa. Pacheco não se pronunciou sobre a acusação de Rogério Carvalho.

Na CPI, o senador petista disse que um amigo o convidou para uma conversa e lhe relatou que “um coronel do Exército da reserva acompanhado de um oficial da ativa” foram para Sergipe “bisbilhotar” sua vida “para saber o que é que podia ter para usar” contra ele.

“Eu quero dizer ao Sr. Braga Netto que eu não tenho medo, que eu não abrirei mão das minhas convicções, que eu entrego a minha vida pela causa que eu defendo, que ninguém vai me intimidar”, disse o senador.

O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), enviou um ofício a Rodrigo Pacheco, pedindo que o presidente do Senado interpelasse Braga Netto e tomasse providências pertinentes.

Na CPI, Aziz prestou solidariedade a Rogério Carvalho e afirmou que “está acontecendo com todos nós”. O presidente da Comissão se referiu a um documento que o listou como ‘subversivo’ em relatórios de inteligência do Serviço Nacional de Informações (SNI), órgão de espionagem da repressão da ditadura, revelado pelo Estadão.

“Duas semanas atrás soltaram um documento da década de 1980, de que eu me orgulho muito de ter participado, no movimento democrático para que nós aqui pudéssemos estar falando hoje o que a gente quer aqui. Não era assim, não! Não era mesmo”, disse o senador.

Aziz contou ter participado “da luta pela democratização do País, pelas Diretas Já, por uma nova Constituinte”. O senador afirmou que o documento foi vazado “de uma forma pejorativa me chamando de palestino não sei o quê”.

O presidente da CPI foi pivô de uma crise com militares no início de julho. Aziz criticou na CPI oficiais militares suspeitos de envolvimento em atos de corrupção, os quais chamou de “lado podre” das Forças Armadas.

O Ministério da Defesa e a cúpula das Forças Armadas reagiram fortemente e entraram em colisão política com a CPI. Os comandantes e o ministro da Defesa acusaram Aziz de desrespeitar as Forças Armadas e generalizar “esquemas de corrupção” na Comissão. Aziz retrucou no plenário do Senado, dizendo-se “intimidado” pela primeira ofensiva sobre o Congresso realizada em conjunto pelos novos comandantes militares nomeados por Bolsonaro.