ONU pede aos países a proibição da expulsão de afegãos

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) pediu nesta terça-feira (17) a proibição das expulsões de cidadãos afegãos para seu país de origem, inclusive daqueles que tiveram o pedido de asilo previamente rejeitado.

“Devido à rápida deterioração da situação em termos de segurança e de direitos humanos em grandes partes do país, além da situação de emergência humanitária, o Acnur pede aos Estados que acabem com os retornos forçados de cidadãos afegãos, mesmo que tenha sido previamente determinado que eles não requerem proteção internacional”, declarou a porta-voz Shabia Mantoo durante uma entrevista coletiva em Genebra. Desde o início do ano, mais de 550 mil afegãos foram deslocados dentro do país, devido ao conflito e à insegurança”, destacou Mantoo.

A volta dos talibans provocou cenas de caos e de pânico no domingo e ontem, especialmente no aeroporto de Cabul, para onde seguiram milhares de pessoas, desesperadas para sair do país. “O medo que tomou conta de grande parte da população é profundo e, levando-se em consideração o passado, totalmente compreensível”, disse o porta-voz do Alto Comissariado para os Direitos Humanos, Rupert Colville, que estava ao lado de Mantoo.

Desde que tomaram a capital do país no domingo, após uma ofensiva relâmpago que permitiu o controle de quase todo território em apenas dez dias e provocou a fuga do presidente Ashraf Ghani, os talibans multiplicam gestos que pretendem ser tranquilizadores. Apesar de sso não tranquilizar os moradores de Cabul, sobretudo, as mulheres. Com medo, a maioria não se arrisca a sair às ruas.

O Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) calcula que mais de 18 milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária no Afeganistão, incluindo 10 milhões de crianças. “O Unicef precisa de acesso a todas estas pessoas para obter garantias em termos de segurança para os trabalhadores humanitários”, afirmou o diretor de operações do Fundo no Afeganistão, Mustapha Ben Messaoud.