A declaração do presidente do Senado Federal foi feita após encontro com governadores de cinco estados e do Distrito Federal para discutir a crise entre os Poderes
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), disse nesta quinta-feira (02) que “não se negocia uma democracia”. A declaração foi feita após encontro com governadores de cinco estados e do Distrito Federal para discutir uma crise entre os Poderes.
“É muito importante que todos nós estejamos unidos, respeitando as divergências, na busca de consenso, na busca de convergências, mas com um aspecto que é para todos nós inegociável: não se negocia democracia, democracia é uma realidade, o estado de direito uma realidade “, afirmou.
O encontro, a pedido dos governadores, é uma tentativa de harmonizar a tensão institucional provocada pelo presidente Jair Bolsonaro . Além de se reunirem com Pacheco, eles também pretendem conversar com Bolsonaro. No entanto, não há sinalização do Planalto sobre quando e isso irá ocorrer.
Sem citar Bolsonaro, Pacheco defendeu o diálogo e disse que “não é possível ouvir governadores dos estados e do Distrito Federal”.
Outra preocupação dos governadores são os atos bolsonaristas para 7 de Setembro, considerada um desafio para autoridades, que precisam se equilibrar entre os princípios da liberdade de expressão e de estabilidade democrática da Constituição.
Questionado sobre os riscos das manifestações, o presidente do Senado respondeu que espera que elas sejam “cívicas” e “patrióticas”, mas defendeu que qualquer movimento contra a democracia seja rechaçado.
“Obviamente que pontos de manifestação, de um modo geral, qualquer que seja ela, por qualquer meio que seja, que vise retroceder a democracia, que vise não ter alteração, algum tipo de intervenção ou autoritarismo, isso tem que ser rechaçado, porque isso não é democrático, não é patriótico “, disse.
Os protestos de raiz golpista e de pautas autoritárias a favor de Bolsonaro estão marcados para o feriado de 7 de Setembro na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, e na avenida Paulista, em São Paulo. O presidente prometeu comparecer e discursar nos dois atos.
Nesses protestos, Bolsonaro espera contar com milhares de apoiadores para ganhar fôlego em meio a uma crise institucional provocada por ele mesmo, além das crises sanitária, econômica e social no país.
Isolado, Bolsonaro perde apoio nas classes política e empresarial, além de aparecer afastado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em diferentes pesquisas de opinião sobre a corrida eleitoral de 2022.
Nesta quinta-feira, ao fim da reunião, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), coordenador do Fórum Nacional dos Governadores, disse haver uma preocupação “unânime” entre os governadores em relação à crise entre as instituições.
“Na última reunião, expressamos nossa preocupação com o esgarçamento das relações entre os Poderes. Isso é unânime, independente da coloração partidária dos governadores que existem dentro do grupo. Existe uma unanimidade de que temos que caminhar juntos pela democracia.”
O emedebista informou ainda que pedirá uma reunião com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para tratar do assunto e de outros temas de interesse dos estados que tramitam na Casa.
Além de Ibaneis, participaram do encontro dos governadores Romeu Zema (Minas Gerais), Reinaldo Azambuja (Mato Grosso do Sul), Helder Barbalho (Pará), Renato Casagrande (Espírito Santo) e Wellington Dias (Piauí).
