Tudo demais é muito: os limites da função social do (a) advogado (a)

Sexta feira, 20h da noite.

Celular apita: notificação! Mensagem.

-Olá, Dra. Posso tirar uma dúvida? Coisa simples.

Um longo texto vem em seguida, cheio de detalhes, datas, observações e mais perguntas durante o relato escrito.

Analisar uma demanda complexa numa noite de sexta após uma longa semana de trabalho é estressante e pode não gerar uma análise bem feita e adequada da situação, como aconteceria numa manhã de segunda mediante consulta paga.

⁃ Vamos agendar um horário e conversaremos pessoalmente ou em atendimento remoto mediante pagamento de consulta porque precisarei analisar com calma.

Silêncio após visualização. Digitando…

⁃ Não, mas eu queria só saber isso, nada demais. Posso ligar?

Trimmm, trimmm, trimm…atendi, sexta à noite. Cansada, mas atendi. A potencial cliente fez diversas perguntas, todas precisariam de análise documental e atendimento detalhado mediante consulta.

Não pude tirar nem metade das tantas dúvidas dela, não pude orientar o procedimento a ser tomado nem encaminhar providências, tudo isso seria na segunda de manhã mediante CONSULTA e análise documental.

Mas, a ideia de que o (a) advogado (a) tem função social absoluta em sextas feiras à noite, feriados, domingos e quaisquer outros momentos de “descanso”, sempre “pro bono” e pronto para prestar “socorro” sem contrapartida financeira é muito forte.

Na segunda achei que a moça da ligação da última sexta à noite não apareceria, me enganei (ufa!). Fiz atendimento, recebi o valor da consulta, orientei e tirei todas as dúvidas, dei o máximo de mim.

Até o melhor intercessor precisa de incentivo e valorização, não existe trabalho de excelência em “tirar só uma dúvida” de qualquer jeito, tudo na vida tem limite, inclusive, a função social presente na advocacia.

Raíssa Cavalcante
Advogada de Guarabira e Colunista do Portal Nordeste 1

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