Tem chovido ignorância

A crise hídrica no Brasil tem sido um dos temas mais abordados nos últimos meses. Trata-se de um cenário que, além de toda a problemática resultante da pandemia de Covid-19, vem assustando e, por que não dizer, causando medo na população. Inevitavelmente, os recursos naturais fazem parte de um ciclo que é necessário para a sobrevivência dos seres vivos. E a água é o principal deles.

Como em um filme de ficção científica, estamos presenciando uma verdadeira bagunça meteorológica e social, ocasionada única e exclusivamente por nós, seres humanos. A crise hídrica vivida por nós, brasileiros, é o resultado dos muitos excessos impostos pelo homem sobre a natureza, e uma hora a conta chega. E a conta chegou com um valor muito alto, principalmente em relação aos valores dos últimos 91 anos, afinal, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico, o Brasil enfrenta a pior crise hídrica das últimas nove décadas.

A ganância fez com que o ser humano explorasse os recursos naturais de maneira gradativa até tornar-se desenfreada. Somos os únicos culpados pelo possível colapso da sociedade e do nosso meio ambiente, e quando eu falo em meio ambiente não me refiro só a natureza, mas no verdadeiro significado do que essas palavras querem dizer: o meio onde vivemos, onde habitamos. E o planeta Terra está dando gritos cada vez mais estridentes de socorro, pois ao longo do tempo (muito tempo), a natureza começou a mostrar os primeiros sinais de desagrado sobre as ações irresponsáveis que o ser humano tem praticado em suas relações ambientais. De acordo com dados obtidos através de uma ampla pesquisa feita pelo MapBiomas do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima (SEEG/OC), o Brasil já perdeu o equivalente a um Nordeste brasileiro e meio de água. Isso mesmo! E o Estado do Nordeste é bem extenso, né? Mas não é só isso.

A falta de água que oprime o nosso país é um dos resultados do impacto que as queimadas, desmatamento inconsequente, poluição exacerbada e falta de noção exercem sobre a vida das pessoas, a fauna e da flora. E quando começamos a analisar mais a fundo, vemos que o motivo pelo qual convivemos com o aquecimento global, sem chuvas, com a agricultura e pecuária comprometidas, e uma possível crise no fornecimento de energia elétrica do país é a nossa ignorância e falta de gerenciamento, o que é extremamente preocupante. Na verdade, o ciclo que compõe a nossa estadia aqui na Terra é composto por recursos que não soubemos administrar, e eles estão acabando. É como se pegássemos a nossa casa e ateássemos fogo nela ou derrubássemos suas paredes. Iríamos ficar sem moradia, não é? Pois já estamos colaborando para a destruição da nossa casa maior, o planeta. Será que ainda dá tempo de correr atrás do prejuízo?

Ainda estamos aqui, então vamos fazer a nossa parte para sobrevivermos. Coletivamente podemos reconstruir, de forma emergencial, o que destruímos. Basta querer. Em nome da ganância, o homem seguiu à sua maneira, retirando sem repor, desmatando sem plantar, utilizando sem economizar, administrando sem pensar no bem maior, e a conta chegou com juros altíssimos. Parou de chover, mas chove ignorância. Até quando?

 

*** Daniele Souza, professora de Língua portuguesa, Especialista em Linguística e Literatura, Graduanda em Jornalismo Digital pelo Centro Universitário Leonardo Da Vince – Uniasselvi