A cidade de Caiçara completará no próximo dia 07 de novembro 113 anos de emancipação política e o destaque da programação cultural para celebrar essa data será a comemoração de 180 anos da sua feira livre, que foi fundamental para o surgimento da cidade. A celebração desse marco se dará através da realização de programações culturais nas feiras dos sábados dias 06 e 13 de novembro, com resgate de manifestações culturais tradicionais da história da feira, além de lançamento do livreto “Feira Livre de Caiçara, 180 anos (1841-2021)”, do pesquisador Jocelino Tomaz de Lima.

Em ambas as feiras se apresentarão duplas de repentistas (Antonio Costa e Erasmo Ferreira, dia 06, e Antonio Costa e Domingos Matais, dia 13); cordelistas caiçarenses (Gilberto Baraúna e Bartolomeu Xavier, dia 06, e Severino Firme (“Bino”), Zé Luiz e Prof. Erivaldo, dia 13); trios de forró pé-de-serra (Ivanildo Sanfoneiro, dia 06, e Chuca Sanfoneiro, dia 13);  e o folheteiro (vendedor de cordéis) “Biu Folheteiro”, em ambas as feiras. O livreto sobre a história, tradições e personagens da feira será distribuído gratuitamente.

As atrações da feira também participarão do “Programa Atitude”, veiculado pela rádio comunitária, FM Cidade Marquesa, às 11h dos sábados, onde também será abordada a história da feira.

Além da programação das feiras, a coordenação de cultura do município, que tem a frente Paulo Ricardo Porpino e a prefeitura da cidade, através do prefeito Tarcísio Lopes, convidam todos para a programação como um todo que será a seguinte:

05/11: Desfile da Escola Municipal João Alves de Carvalho, celebrando seu 40º aniversário;

06/11: Manifestações culturais na feira;

07/11: Alvorada com Banda de Música “7 de Novembro, hasteamento de bandeiras, missa em ação de graças, motocross e passeio ciclístico;

08/11: Inauguração dos novos prédios da prefeitura, secretaria de assistência social e conselho tutelar (8:30h);

09/11: Apresentações do grupo de idosos “Vida Ativa” (Sec. Assistência Social), grupo de usuários da academia da saúde, apresentação de capoeira, zumba e banda de música do Serviço de Convivência (Praça Dois Antonios, 16:30h);

10/11: Apresentação de alunos do curso de violão ministrado pelo prof. José Carlos Lima (Fundação Waldemir Miranda, 19:30h);

11/11: Inauguração da sede própria da Banda de Música “7 de Novembro”, com apresentação da banda (08:30h);

12/11: Live “113 Anos de História Política de Caiçara” (Jocelino Tomaz) e inauguração da “Galeria dos Prefeitos” (sede da prefeitura, 19:00h)

13/11: Manifestações culturais na feira.

A CIDADE QUE SURGIU DE UMA FEIRA POLÊMICA

Difícil imaginar como teria sido a história de Caiçara se os primeiros moradores não tivessem criado uma feira, mesmo contra poderosos interesses. A cidade teve sua localização escolhida devido ao Rio Curimataú e começou em 1822 com a construção de capela e currais, logo tornou-se passagem de tropeiros, mas o passo definitivo para o desenvolvimento do povoado foi a feira.

Como a feira da cidade vizinha, Nova Cruz (RN), na época chamada de “Anta Esfolada” era na segunda, tropeiros  que vinham de feiras como as de Guarabira e Mamanguape faziam parada em Caiçara aos domingos e os moradores do local passaram a comprar a eles, que tinha preços melhores do que os dos barracões dos engenhos de Serra da Raiz, veio então a ideia de uma feira no domingo. Toda essa movimentação desagradava os senhores de engenho de Serra da Raiz, que ameaçavam colocar piquetes nas estradas para os tropeiros não passarem, havia até o risco de derramamento de sangue pois dizia-se que João José da Costa, o “Major Costa”, líder da Serra da Raiz, estava preparando força armada para pôr fim a feira. Para evitar o pior, Manoel Soares da Costa, o fundador e principal liderança de Caiçara, dias antes, buscou apoio do deputado João José Lucas Rangel (na época primeiro presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba) e, por intermédio dele, conseguiu que a Guarda Provincial (a polícia da época), viesse dar segurança para realização da tão esperada feira, em um domingo de 1841, há 180 anos.

Essa versão se baseia no livro “Caiçara …Caminhos de Almocreves” de Severino Ismael da Costa. Os serranos tem outra versão para o episódio, segundo o pesquisador José Augusto, o impasse era por que os tropeiros faziam a rota por Caiçara sem pagar os devidos impostos e, além disso, o “Major Costa”, por ser muito católico, não concordava com uma feira no domingo, “Dia do Senhor”.

O sucesso da realização da feira, como também o apoio de um político influente como o Coronel Lucas Rangel, despertou nas lideranças de Caiçara o sonho da emancipação,  de se tornar uma vila independente, o que só veio acontecer em 1883, tendo sido depois rebaixada a distrito da Serra da Raiz, em 1884, voltando a obter a emancipação, dessa vez definitiva, em 07 de novembro de 1908, há 113 anos, quando já pertencia ao território de Guarabira. A Caiçara dessa época englobava os atuais territórios de Belém, Lagoa de Dentro, Duas Estradas, Serra da Raiz, Logradouro e parte de Sertãozinho.

Desde a sua criação até dezembro de 2009, a feira de Caiçara sempre foi aos domingos, tendo nessa época sido transferida para o sábado, dia em que se realiza atualmente. A feira acontecia na antiga Rua do Comércio, atual Rua João Pessoa, se iniciava nas proximidades do então coreto (demolido em 1958), logo após o largo da igreja não podia ser ocupado. No final dos anos 1930, com a necessidade de crescimento da cidade, ganhou força a proposta de povoar a parte alta da colina e a solução encontrada foi mudar o centro comercial para a chamada “cidade alta”, o que começou a acontecer com o início das obras do mercado público, em 1938. Em 1940 o mercado foi inaugurado e a feira foi transferida para o atual local.

 

Pesquisado por Jocelino Tomaz de Lima (novembro de 2021).