O presidente Jair Bolsonaro culpou os governadores do PT e do PSB pelo agravamento da fome, durante transmissão ao vivo nas redes sociais, nesta quinta-feira 11. Na ocasião, o ex-capitão disse lamentar que famílias recorram a restos de alimentos para realizar refeições, mas se afastou da responsabilidade pelo problema.

“O pessoal mostra o caminhão de osso. Algumas pessoas pegando osso e ‘olha o governo Bolsonaro, o povo tá atrás de osso’. Eu lamento, realmente, pessoas atrás de osso, lamento muito isso aí. É consequência daquela política dos governadores do PT, do PSB, fecharam os estados, fecharam os municípios, desempregou muita gente, e o preço da economia cobra depois. Eu não fechei nenhum botequim no Brasil. Disso você não me acuse, não”, declarou.

Bolsonaro fez o comentário após agradecer a parlamentares da Câmara pela aprovação da PEC dos Precatórios, a proposta que limita os pagamentos de dívidas judiciais que o governo faria no ano que vem. Segundo ele, essa é a via possível para a criação do Auxílio Brasil, benefício que substitui o Bolsa Família.

“Quando a gente tem uma proposta para dobrar o ticket do Bolsa Família, o PT, o PSOL, o PCdoB, o Novo são contra. Querem que a gente dê meios para 17 milhões de famílias sobreviverem, e quando a gente apresenta uma solução com toda a responsabilidade, não furando o teto e etc., eles votam contra o povo trabalhador”, reclamou.

Na sequência, o presidente disse que a oposição age com “maldade” ao criticar a PEC.

“E o que a gente ouve nos bastidores lá do Congresso? ‘Ah, isso vai eleger o Bolsonaro’. A preocupação de vocês é política? Não é o povo? Não é o pobre? Você acha que o pobre aguenta ficar um ano recebendo 192 reais até vocês chegarem no governo, se vocês ganharem as eleições, obviamente? Isso é uma maldade sem tamanho.”

Bolsonaro também voltou a afirmar que o Brasil é um dos países que menos sofreram impactos econômicos negativos durante a pandemia. O presidente creditou o suposto feito a políticas adotadas pelo Ministério da Economia em 2019, como a Medida Provisória da Liberdade Econômica.

As declarações de Bolsonaro, no entanto, minimizam os péssimos indicadores do seu governo, como a identificação de mais de 116 milhões de pessoas em alguma situação de insegurança alimentar e 17 milhões com fome.

Sob a sua gestão, o Brasil bate recordes na inflação. Em 10 de novembro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística informou que o País registrou a maior alta da inflação para o mês de outubro desde 2002. No acumulado dos últimos 12 meses, já são 10,67% de elevação.

Analistas apontam que o Brasil pode encerrar 2021 com um dos índices inflacionários mais elevados entre as principais economias do mundo, atrás apenas de Argentina e Turquia.

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, o Dieese, relatou crescimento de 30% no preço da cesta básica em um ano e avaliou que o salário mínimo deveria ser de 5,8 mil reais, o quíntuplo dos 1,1 mil reais pagos atualmente.

Como mostrou CartaCapital, uma em cada cinco crianças brasileiras vive em condições de fome, violência e trabalho infantil. Nove milhões de brasileiros até 14 anos de idade moram em lares com renda per capita mensal de até 250 reais. Na análise de especialistas, as decisões políticas de Bolsonaro favorecem o desmonte de programas de assistência e fortalecem a tendência de piora na crise social.

Vale observar, ainda, que as medidas que restringiram a circulação de pessoas durante a pandemia, adotadas não só por governadores do PT e do PSB, mas por gestores de vários partidos, foram recomendadas por uma série de cientistas. Pesquisadores dos Estados Unidos concluíram, inclusive, que as restrições produziam menos danos à economia do que aponta o governante brasileiro.

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