O número de alertas de desmatamento da floresta Amazônica foi o maior para o mês de outubro em cinco anos, segundo o Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Dados divulgados pelo instituto mostram ainda que houve uma alta de 5% na comparação com outubro de 2020.

De acordo com o órgão, a área sob risco tem 877 km², um recorde em relação à série histórica.

Os números foram calculados com base na área conhecida como Amazônia Legal, formada pelos Estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, além de uma parte do Maranhão.

Os alertas do Inpe são divulgados a partir dos sinais de mudanças da cobertura vegetal nas áreas desmatadas ou em processo de degradação.

Os dados revelam uma contradição com o que está sendo dito pela comitiva brasileira em Glasgow, na Escócia, onde ocorre a COP26.

Em seu discurso na conferência climática, o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, defendeu o governo federal.

PARA, BRAZIL, 29/08/2019 - Overview of burnings in the vicinity of the BR-163 highway in the state of Pará, northern Brazil, in the Amazon region, this Thursday, August 29th. Brazil's second largest corridor for soybean production - the second largest in the world - the BR-163 concentrates many of the fires that every year take over the skies of the country and even of the South American continent. Despite the creation of protected areas along more than 1,000 km of the highway, areas such as Jamanxim National Forest and Serra do Cachimbo Biological Reserve are among the most devastated (Photo by Gustavo Basso/NurPhoto via Getty Images)
Os alertas do Inpe são divulgados a partir dos sinais de mudanças da cobertura vegetal nas áreas desmatadas ou em processo de degradação. (Foto: Gustavo Basso/NurPhoto via Getty Images)

“Para conter o desmatamento ilegal na Amazônia, o governo federal dobrou os recursos destinados às agências ambientais federais e promoveu abertura de concursos para 739 novos agentes ambientais”, disse.

A delegação brasileira vinha sendo criticada por ativistas climáticos por não divulgar o Prodes, dado oficial do desmatamento, também medido pelo Inpe. Com base em números de agosto de um ano a julho do ano seguinte, ele costuma estar disponível no começo de novembro.

A falta de controle no corte ilegal da floresta pode prejudicar as negociações feitas na conferência climática pelo Itamaraty, que foi elogiado por adotar uma posição mais flexível e procurar consensos que permitissem concluir a regulamentação do Acordo de Paris.

“As emissões acontecem no chão da floresta, não nas plenárias de Glasgow”, afirmou Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima. “E o chão da floresta está nos dizendo que este governo não tem a menor intenção de cumprir os compromissos que assinou na COP26.”

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