A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) enviou ao Ministério da Saúde, nesta quinta-feira (18), um ofício cobrando os estudos, pareceres e notas técnicas que subsidiaram a decisão de estender a aplicação de dose de reforço a toda a população adulta brasileira. A atualização não contou com aval da agência reguladora, que não foi consultada e ainda recebe dados das farmacêuticas para deliberar sobre o tema.

Responsável por fazer as análises de segurança, eficácia e qualidade de vacinas, a Anvisa não deixou de reconhecer que a disponibilidade de doses de reforço “é importante para a manutenção da proteção contra a Covid-19”, em especial para “pessoas que trabalham ou vivem em ambiente de alto risco de infecção, os idosos e os imunocomprometidos”, disse, no ofício. Por outro lado, ressaltou a necessidade de considerar a relação dos benefícios frente aos riscos individuais.

Entre os fatores que provocaram a cobrança feita pela Anvisa, estão a inclusão de todo o público a partir de 18 anos e a diminuição de seis para cinco meses entre o intervalo da aplicação da dose extra e o término do esquema vacinal primário. A orientação de misturar as vacinas, no entanto, foi o ponto mais questionado no ofício.

Segundo o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, a aplicação do reforço da AstraZeneca e da CoronaVac deve ser preferencialmente feito com uma vacina diferente das aplicadas no esquema de imunização primário — no caso, a da Pfizer. “É o que nós chamamos de vacinação heteróloga. Essa decisão é apoiada na ciência”, disse Queiroga durante o anúncio, na terça-feira (16). Em eventual desabastecimento, pode ser usado outro imunizante.

Em contrapartida, até o momento a Anvisa recebeu os pedidos da AstraZeneca e da Pfizer para autorizar uma dose extra e aguarda os estudos relativos à Janssen, mas nenhuma das farmacêuticas prevê a intercambialidade de doses entre diferentes fabricantes.