LIFT Challenge Real Digital terá como objetivo avaliar casos de uso e viabilidade tecnológica da CBDC que a instituição está desenvolvendo

Roberto Campos Nesto, presidente do Banco Central, anunciou nesta semana o lançamento de uma edição especial do seu Laboratório de Inovações Financeiras e Tecnológicas (LIFT) para começar a testar o Real Digital.

Chamado LIFT Challenge Real Digital, o laboratório especial terá como objetivo avaliar os casos de uso e a viabilidade tecnológica do Real Digital, a CBDC que a instituição está desenvolvendo.

De acordo com o BC, o LIFT Challenge Real Digital “será configurado como um ambiente colaborativo virtual” e reunirá um “público maduro de instituições de pagamento, bancos, fintechs e empresas de tecnologia”.

Realizados pela Federação Nacional de Associações dos Servidores do Banco Central (Fenasbac), em parceria com o Banco Central, os desafios agruparão participantes do mercado que estejam interessados em desenvolver um produto minimamente viável (ou “MVP”, na sigla em inglês) para o “desenvolvimento de soluções inovadoras que beneficiem a população e o funcionamento do Sistema Financeiro”.

Além dos responsáveis pela proposição e desenvolvimento de projetos de inovação tecnológica aplicados à indústria financeira com foco no tema do LIFT Challenge Real Digital, poderão participar da iniciativa fornecedores de soluções tecnológicas e agentes da academia.

Segundo o BC, será dada preferência para a seleção de projetos sobre algumas categorias específicas de casos de uso em ambiente online, como “Entrega contra Pagamento” (DvP, na sigla em inglês) voltado à liquidação de transações com ativos digitais, tanto nativos do ambiente digital quanto tokenizados; “Pagamento contra Pagamento” (PvP) voltado ao câmbio entre moedas; “Internet das Coisas” (IoT) voltado à liquidação algorítmica ou diretamente entre máquinas; e “Finanças descentralizadas” (DeFi), voltado à definição de protocolos com liquidação baseada em uma CBDC e tendo em vista requisitos de conformidade e supervisão estabelecidos em norma.

O anúncio da edição especial do LIFT focada na CBDC brasileira foi feito no webinar “Tecnologias para emissão e compatibilidade com arranjos existentes”, promovido pelo BC, conduzido por Aristides Andrade Cavalcante Neto, Chefe adjunto do Departamento de Tecnologia da Informação do BC e que também contou com a participação de representantes da ConsenSys, uma das principais empresas de desenvolvimento de softwares em blockchain e o consórcio de blockchain R3, responsável pela rede Corda. Campos Neto fez o encerramento do evento online.

O webinar discutiu como o Real Digital poderia ser integrado com sistemas de contratos inteligentes de blockchains públicos e privados e também como o atual ecossistema de finanças descentralizadas (DeFi), NFTs e até o metaverso poderiam ser integrados à plataforma do Real Digital.

Rudá Pellini, cofundador da Wise&Trust e colunista do Future of Money, mostrou otimismo com o LIFT Challenge Real Digital: “O Brasil está prestes a proporcionar aos brasileiros mais liberdade financeira, segurança e rapidez nas transações, além de mais integração entre tecnologias diversas. Se tivermos nossa própria CBDC, poderemos ter a custódia do nosso dinheiro. Guardaremos esse Real Digital sem precisar de uma instituição financeira para movimentar dinheiro da nessa carteira”.

Real Digital avança rápido

O lançamento do LIFT especial sobre o Real Digital é mais um passo na rápida trajetória da CBDC brasileira, que tem avançado a passos largos nos últimos meses.

Recentemente Roberto Campos Neto confirmou que o BC pretende lançar uma primeira versão do Real Digital já em 2022. Neste primeiro momento, segundo ele, esta primeira versão será uma prova de conceito para o BC avaliar diversos aspectos referentes ao modelo de CBDC proposto pela instituição.

Ainda segundo o presidente do BC, a versão final do Real Digital deve ser lançada aos brasileiros somente em 2024, quando o Pix e o Open Banking estiverem mais maduros e, desta forma, habilitando o sistema do CBDC nacional.

EXAME