O gerente da loja Zara, o português Bruno Filipe Simões Antônio, foi denunciado pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) por racismo cometido contra a delegada da Polícia Civil do Ceará (PCCE), Ana Paula Silva Santos Barroso, em um shopping de Fortaleza. O caso aconteceu no dia 14 de setembro deste ano e o gerente foi indiciado pela PCCE no dia 18 de outubro último.
A denúncia do MPCE, enviada à 14ª Vara Criminal de Fortaleza nessa quarta-feira (1º), e obtida pela reportagem do Diário do Nordeste, concluiu que “diante de todos os elementos juntados aos autos, nota-se a prática de crime resultante de discriminação ou preconceito de raça, cor ou etnia com latente diferenciação de tratamento entre clientes do estabelecimento comercial”. O caso foi enquadrado no artigo 5º da Lei nº 7716/1989 (que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor).
Verifica-se que o denunciado Bruno Filipe Simões Antônio impediu acesso a estabelecimento comercial, negando-se a servir, atender ou receber à vítima Ana Paula Silva Santos Barroso, sem qualquer outra razão fundamentada que não fossem as próprias características físicas da vítima.”
MINISTÉRIO PÚBLICO DO CEARÁNa denúncia
“Na sequência, a vítima questionou ao delatado em que se baseava a determinação e o motivo pelo qual não poderia permanecer na Loja, momento que Bruno Filipe Simões Antônio apenas dava a entender que era por determinação da segurança do Shopping Iguatemi. A ofendida ainda questionou se o motivo seria ela estar consumindo um sorvete, com a máscara abaixada, contudo, o denunciado se restringiu a afirmar que se tratava de questão de segurança”, diz o MPCE.
Na versão de Bruno Filipe e da loja Zara, Ana Paula foi impedida de permanecer no local porque estava com a máscara abaixo do queixo, o que não era permitido por prevenção ao contágio por Covid-19. Entretato, o gerente atendeu normalmente uma cliente branca pouco antes de expulsar a delegada, negra.
