Covid: AGU diz que 57 mil crianças receberam vacinas incorretas

Um levantamento com base em informações da RNDS (Rede Nacional de Dados em Saúde) revela que mais de 57 mil crianças receberam doses incorretas contra a Covid-19 no Brasil, até dezembro de 2021. Segundo a AGU (Advocacia-Geral da União), os números foram repassados pelos próprios estados e pelo Distrito Federal e sustentam um pedido da advocacia para que o STF (Supremo Tribunal Federal) suspenda qualquer campanha de vacinação de crianças e adolescentes em desacordo com as diretrizes prescritas no PNO (Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra Covid-19).

A RNDS é uma plataforma criada pelo Ministério da Saúde que reúne informações sobre casos de Covid-19 com base no resultado de exames laboratoriais. Na tabela apresentada ao STF, consta que mais de 14,5 mil crianças e adolescentes até 17 anos receberam doses da AstraZeneca, outras 20 mil da CoronaVac e mais 1.200 da Janssen. Nenhuma vacina desses fabricantes tem autorização para imunizar a faixa etária abaixo de 18 anos no Brasil.

Apenas a Pfizer recebeu aval da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para vacinar crianças de 5 a 11 anos com um terço da dose aplicada nas pessoas a partir dos 12 anos. Ainda assim, antes mesmo da chegada das doses específicas para a faixa etária, o Ministério da Saúde constatou que mais de 18,8 mil jovens de 5 a 11 anos receberam a dosagem adulta, bem como outras 2.400 crianças na faixa até 4 anos.

Além de sustentar que os estados e o Distrito Federal não estão cumprindo o previsto na campanha de imunização, a AGU solicita intervenção do Supremo para que os entes sejam intimados a se manifestar e responder aos questionamentos do Ministério da Saúde. Isso porque a pasta alega ter encaminhado, ainda em setembro de 2021, um ofício circular a todos os secretários de Saúde dos estados-membros, Distrito Federal e municípios ao tomar conhecimento das discrepâncias quanto à imunização de crianças.

“A maioria dos estados-membros não respondeu às indagações”, argumenta a AGU. Já os que responderam, prestaram “informações genéricas a respeito da existência de erros nos registros ou da observância dos padrões do PNO, sem promover nenhuma retificação nos dados”, completa.

 

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