Há dois anos o Brasil foi tomando pela densa e escura névoa da Pandemia de Covid-19, esta que deixou um rastro de destruição em massa sobre todos os setores sociais e biológicos da humanidade. Como num filme de ficção científica (pois é o que parece), tivemos que nos adaptar a uma nova realidade. Máscaras, álcool 70% e informações… muitas informações sobre como se comportar para tentar sobreviver.

          O que era comum passou a ser um erro, como abraçar, por exemplo. Manter distância até hoje tem sido um dos principais meios de proteção. Sempre soubemos o quanto é bom viver, mas após esse quadro bizarro que a pandemia trouxe, nossa sensibilidade sobre a vida ficou maior, pois se já não tínhamos certeza de nada, agora é que não temos mesmo. A máxima “viver um dia de cada vez” nunca foi tão real! Os menores detalhes ganharam vida e passamos a realmente enxergá-los com olhar de valor. Nunca foi tão bom ter a oportunidade de acordar.

          O número de mortos só cresceu desde a chegada do vírus ao Brasil, mas um fio de esperança surgiu: a vacina. E com ela a enxurrada de dúvidas, principalmente sobre a sua eficácia. Em um ano, uma vacina ficar pronta? Eis um dos medos. Mas lembremo-nos da tecnologia que envolve a sociedade hoje e que evolui a cada segundo. Coisas que antigamente eram feitas em muito mais tempo, hoje graças à tecnologia, são providenciadas dentro de um curto período e com a mesma ou até melhor eficácia. As vacinas contra o Coronavírus não impedem o contágio da doença, mas protegem contra a versão grave que pode levar à morte. Aliás, nenhuma vacina tem total eficácia sobre uma doença e nem na sua transmissão, porém, as chances de complicações e de óbitos são mínimas em relação aos que não foram imunizados.

            Então, tomar a vacina pra quê? Simplesmente, para viver, para termos a esperança de que, se infectados pelo vírus, termos grandes chances de não morrer ou de ficarmos gravemente acometidos pela Covid-19. O fato de ser tudo muito novo, inclusive a fase em que estamos, é natural que haja uma desconfiança sobre todo e qualquer procedimento que influencie na saúde, porém é importante a credibilidade na ciência, pois a imunização da população não é feita de todo jeito. Muitos estudos são feitos para que se chegue a um resultado. Adultos e crianças, todos precisam se vacinar, pois estamos vendo na prática como a imunização da população tem surtido efeitos sobre a doença. Se os casos de testagem positiva tem aumentado? Consideravelmente. Mas os de óbitos tem caído bastante em relação à época em que ninguém havia sido vacinado.

            Quando aposentaremos as máscaras? Quando poderemos nos aproximar de verdade das pessoas? Uma coisa é fato: esta pandemia tem mexido muito com a saúde física e mental das pessoas. E é sobre a saúde mental que também precisamos dedicar nossa atenção, afinal, se não estivermos bem psicologicamente as demais áreas da nossa existência também ficarão adoecidas. Portanto, que a ignorância não tome o espaço da razão. Somos livres para escolher o que queremos, isso é incontestável, mas quando o assunto é sobrevivência é necessário refletir bastante sobre uma decisão coerente com o que se almeja. Muitas vezes o ser humano é irresponsável e inconsequente, adjetivos nada interessantes, principalmente quando se referem à escolha de viver com esperança ou com a certeza de estar totalmente vulnerável a um vírus mortal.

            Uma, duas, três, quantas doses da vacina forem preciso para que, abaixo de Deus, sejamos protegidos de um inimigo que apesar de microscópico, conseguiu deixar uma larga trilha de destruição a nível global. E tal característica é forte o bastante para que a população não vacinada possa repensar sobre o que é melhor fazer. Deus é poderoso o suficiente para findar como qualquer enfermidade que assole a existência humana na terra, mas temos o livre arbítrio de fazer nossa parte, afinal, Ele deu inteligência ao homem também para resolver problemas dos mais diferentes tipos, a exemplo, os que a ciência e a medicina alcançam. Então, respondendo à pergunta do título: Para lutar pela vida.

Maria Daniele de Souza Lima. Professora, estudante de Jornalismo Digital e apaixonada pela comunicação.