1932 foi um ano de muitas mudanças no cenário da política nacional com a revolução constitucionalista, oriunda da revolução de 1930, onde houve a chamada política do Café com leite.
Getúlio Vargas havia assumido o poder e para por fim a uma serie de divergências e conflitos fez várias nomeações nos estados, principalmente em São Paulo, foco do principal conflito com o governo federal.
Guarabira, cidade de destaque no brejo paraibano recebeu a nomeação do poeta José Tertuliano Ferreira de Melo, ou Zuza Ferreira ou ainda Ferreira de Melo para os seus contemporâneos, que nasceu no dia 26 de abril de 1888, em Pedra Lavrada um arruado pertencente ao município de Picuí, no sertão paraibano.
Aos onze anos foi residir em Itabaiana, onde aprendeu a ler e adquiriu a profissão de alfaiate, um ofício muito rentável e respeitável numa época em que não existiam as roupas prontas. Mas ao longo deste período, além da atividade de alfaiate, ele desempenhou outras tantas como a de cortador de carne verde, músico, poeta, jornalista, professor, político, folião animador dos carnavais, mantenedor da banda, fundador de sociedade beneficente.

Zuza Ferreira ensinou sua profissão ao famoso poeta popular Zé da Luz. Durante o tempo em que ele residiu em Itabaiana, foi o centro irradiador de quase toda a movimentação da cidade, a ponto de o historiador Sabianiano Maia afirmar que ele foi a própria vida da cidade.
Depois de viver 28 anos em Itabaiana, ele transferiu-se para João Pessoa (1927) e foi trabalhar na conhecida Alfaiataria do Norte.
Zuza Ferreira, como todas as mentes lúcidas da época, apoiava as reivindicações do movimento tenentista que defendia o voto secreto, reformas sociais e econômicas. Alistado na revolução de 30, tornou-se oficial com a patente de tenente. Foi interventor em Araruna e Guarabira.

Guarabira:

De 1931 a 1935 a cidade foi administrada por Ferreira de Melo que deixou sua marca. Entre suas principais obras, podemos destacar: a construção da antiga praça João Pessoa e o prédio da Prefeitura Municipal, hoje restaurado.

Depois de cumprir a sua missão como administrador de cidades, ele transferiu-se para o Rio de Janeiro onde ficou até o ano da sua morte (1956). Foi o terceiro papel deste grande homem, que optou pela tranquilidade de um cargo no INSS. Deixou sete filhos no mundo.
Obras de Zuza Ferreira: Fagulha D’Alma, Vinte e Quatro Horas, Em Lá Menor, A História de Ágaba, Relato da morte de Sady e Suicídio de Ágaba (este último causou muita emoção e sucesso nos anos 20, por ser um forte drama emocional, bem ao gosto da época).

PINTO, Luiz. Coletânea de poetas paraibanos. Rio de Janeiro: Ed. Minerva, 1953. 155 p. 16.5 x24 cm Ex. bibl. Antonio Miranda
C O P A C A B A N A
Jovem, rica de encantos naturais!
Bela e feliz, pelo que exprime de arte!
eis-te, não é lisonja proclamar-te
uma nesga do Céu, entre os mortais!
Montes, que dos teus faustos erguem parte,
cingem-te aos altos páramos atrais!
E o mar — que meigo! — sempre a emoldurar-te
no seu régio franjado de cristais!
Para o enlevo de humanas Divindades,
cromatizas o amor em lindos fólhos..
e o sonho em deliciosas suavidades!…
Céu! Ou inferno!. . . Iriando em traços mil,
és bem, Copacabana, a um mundo de olhos,
a menina dos olhos do Brasil!
*** Sobre o colunista
Leonaldo Ferreira da Silva, Léo Ferreira, com 33 anos, é estudante de Jornalismo da Universidade Estácio de Sá, Rio de Janeiro, cursou História na Universidade Estadual da Paraíba e é um apaixonado por comunicação, artes, história e letras.
