Neste dia 24 de fevereiro de 2022, comemoramos 90 anos de um grande passo dado pelas mulheres no Brasil, o direito ao voto. Sabemos que a mulher sempre foi limitada de exercer diversos tipos de atividades sociais, pelo simples fato de ser “o sexo frágil”, título dado por quem não tem a mínima noção dos feitos que a mulher realmente é capaz de realizar. Sabemos também que em diferentes culturas espalhadas pelo um mundo, a mulher sempre foi vista com aquela que devia se dedicar apenas à criação dos filhos e cuidar da família. Infelizmente, isso ainda permanece. Não da forma como era antigamente, mas é uma realidade que mantém suas raízes na sociedade atual.

São 90 anos de muita história. História essa que começou desde os primórdios da humanidade, onde a desigualdade entre homem e mulher era muito acentuada. E isso, comparado a um monte de terra encima de uma pedra, foi se perdendo com as ventanias do tempo. Porém, mesmo após cada rajada de vento ocasionada pela evolução da humanidade, a pedra ainda ficou com vestígios dos grãos da terra que chamamos desigualdade e preconceito, o que perdura até hoje.

Voto feminino em imagem de arquivo — Foto: TV Globo/ Rerodução

Pelo direito ao sufrágio, ou seja, direito de escolha através do voto, em meados do século XIX, foi criado o Movimento sufragista, o qual representou o primeiro grande movimento histórico realizado por feministas, em busca por direitos e igualdade de gêneros, principalmente pelo direito ao voto. Desde então, essa luta ganhou força, principalmente após o processo de industrialização, quando as mulheres da época começaram a perceber que tinham direitos a serem conquistados.

Falamos principalmente sobre o direito de votar, visto o motivo da data, mas a mulher no início do século XIX sequer tinha o direito a estudar, divorciar-se, trabalhar ou concorrer a cargos políticos. “Até 1962, as mulheres casadas precisavam de autorização formal dos maridos para trabalhar – o Código Civil de 1916 via a mulher como incapaz para realizar certas atividades.”

Aqui no Brasil, a década de 80 foi o momento em que houve uma reforma no Sistema Eleitoral Brasileiro, o que abriu brechas para uma possível inserção da mulher nos direitos políticos. O processo de emancipação feminina foi desgastante, mas nomes como o de Leolinda de Figueiredo Daltro, Celina Guimarães, Alzira Soriano e Dionísia de Faria Rocha (Nísia Floresta), deram voz às necessidades da mulher em assumir seu espaço na sociedade. Mas só em 24 de fevereiro de 1932, durante o governo de Getúlio Vargas, que a mulher conseguiu o direito de votar e de participar do meio político.

Hoje, a mulher vota, estuda, trabalha, faz parte da política e pode assumir os cargos que quiser. A ideia de sexo frágil, o que nunca foi, ainda permanece, mas a voz feminina nunca vai se calar diante das diferenças que a sociedade ainda quer impor. As pessoas precisam entender que a ideia de igualdade de gêneros nada mais é do que uma negação a verdadeira igualdade que deve existir, a do ser humano.

Homens, mulheres… O que muda é o sexo. Na vida, todos precisam usufruir dos mesmos direitos. Ambos possuem cérebro e capacidade de aprender e de fazer tudo o que seja necessário para viver feliz e fazendo um bom trabalho, independe do ambiente que escolheu seguir.
Maria Daniele de Souza Lima. Professora, Especialista em Linguística e Literatura, jornalista. Uma paulista nordestina que já nasceu fascinada pela comunicação. 

 

Fontes de pesquisa: https://mundoeducacao.uol.com.br/            https://super.abril.com.br/